quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Luz e Lola. 1

Sentada no sofá ouvia os minutos passando. Vagarosamente. Cada segundo demorava uma hora. Mar de tempo inacabável. A analista olhava pra mim, pacientemente, lutando pra não cochilar. Uma batalha contra os 50 minutos que era obrigada a ficar ali. Uma guerra médico-paciente. Olho no olho. Quem desistir primeiro levanta a mão. Trégua. “Olha, acho que estamos perdendo nosso tempo.Que tal você se dar por vencida e me deixar em paz com as minhas loucuras?” Mais dez minutos. Mais oito minutos. Mais cinco minutos. Mais três minutos... “Nos vemos semana que vem. Tenha um bom dia”. Elevador. No mesmo corredor uma locadora. O mesmo rapaz de sorriso colado no rosto. O mesmo “oi” tímido. Como ele sempre sabe quando estou aqui?? Digo oi de volta e o elevador chega. Dele sai o próximo paciente. Um homem de seus 50 e poucos. Cabeça sempre baixa, passos curtos, meio gordo, meio velho, meio torto,meio cambaleante. “Boa tarde” ele diz. Só se for pra você.
Meu nome é LUX. LUX mas se pronuncia Lãx, inglês. Vim parar aqui por causa desse nome. Ela devia estar bêbada quando foi ao cartório me registrar com um ano de atraso. O nome saiu no meio de um arroto. “Lãããx. Opa,desculpa moço. Ah, bota esse mesmo. Tanto faz.” Ligo o celular. Espero ansiosamente os sinais de mensagem. Em cada bip uma a afirmação de amor. O problema está em quando, justamente, não há bips. Em seu lugar a ligação-terror. “Acabou a sessão? Quando voltar traz um maço pra mim. Carlton, filtro branco.” Coitada, ela pensa que é chique. E faz de propósito, porque sabe que odeio cigarro. Respondo um tá bom sem vontade e pego o ônibus na direção contrária.

Aperto a campainha do chiqueiro disfarçado de cubículo que o Alex mora. Alex uma ova. Já vi na carteira de identidade que a bicha esconde que o verdadeiro nome é Alesmaildo. Se tivesse um nome desses também teria problemas mentais. Já quase não agüento com meu “LUX”. Isso moça, ele, uh, xis. Não, não vem de luxo. Sim, pode ser, minha mãe toma muito banho. É , ela queria homenagear a fábrica de sabonete. Pois é, né. Limpa até no nome. Hahaha! Engraçadíssimo.
“Abre essa porta, bicha, porra, tô tocando faz meia hora!” De nada adianta eu socar, chutar, gritar. A filha da puta vai me deixar aqui plantada. Só porque dei uns amassos no carinha que ela tava a fim. “Não foi nada demais, Chuchu, a gente tava crazypeople. Ele te ama!”. A porta finalmente se abre. Se não tivesse que me controlar teria um heartattack de riso. Ótima oportunidade para morrer, aliás. O cabelo do “Alex” num tom meio laranja, meio amarelo ovo. Um olhar de desespero e súplica. “Pára de rir, caralho, e me ajuda a consertar essa merda!”. Tento, mas não consigo. Caio no chão me contorcendo de tanto rir. Puta que pariu, se controla, se controla... Olho de novo, mais um acesso. Pára de rir, porra. Maldição de bicha é foda. Pega mesmo! A Bicha em pé, com a mão na cintura, esperando meu ataque acabar. Senta na cadeira, amarra um bico, cruza as pernas e dá um gole no café já frio. “ Quando a senhora acabar de me sacanear, vá por obséquio à farmácia comprar um castanho-chocolate número 13”. Desço as escadas ainda rindo e me concentro pra não errar na cor. Maldição de bicha.... melhor não brincar.

LUX

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

TPM x NEURA


Deve haver alguma vantagem em ser neurótica. Ainda não sei qual é , mas algum dia descubro.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

bobagens de meninas falando sobre meninos quando o trabalho já deu no saco...

ENSAIO SOBRE A PARANÓIA. OU MENINAS VANGUARDA.Parte I.

Stranger diz: ele tinha ensaio as sete e meia, mas as oito ligou dizendo que tava chegando em casa e não ia dar pra cortar o cabelo ( a gente tinha combinado de ir na bicha) As nove eu liguei pro cel pra perguntar qual wishky eu devia comprar, ele não atendeu, liguei a nove meia pra casa, a mãe disse que tinha saído. Já comecei a ficar neura. Meia noite eu liguei ele não atendeu de novo. Daí pirei! Achei que ele tava comendo a Fulana!! (quando tá aqui em casa nunca atende o cel). Respirei fundo e resolvi me concentrar no amor e na fofura. Repeti o mantra:ELE TÁ NO ENSAIO. ELE TÁ NO ENSAIO. ELE TÁ NO ENSAIO... Mas cabeça de neura sabe como é... mandei msm: plis, me liga, mimnha cabeça tá se enchendo de merda! Ele ligou tipo uma e meia, já no ônibus pra SP, morrendo de medo de levar um esporro. Tava no ensaio mesmo.

Jó diz:daushduidad!! Tadinha Ju, tá de tpm?

Stranger diz: Deu pra perceber?!

LUX

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Coisas que eu sabia sem saber.

Rio de Janeiro, 21 de setembro de 2006.

Há um lugarzinho entre o tempo e o espaço, como se fosse uma fresta bem estreita, que só pode ser avistada poucas vezes ao longo da vida. É um lugar secreto e muito calmo, ao contrário do que se diz por aí. Lá são depositados todos os tipos de corações em frangalhos: despedaçados, endurecidos, adormecidos ou simplesmente corroídos pela maresia,

Há quem passe a vida inteira procurando por esse lugarzinho. Há quem passe a vida só ansiando... também há quem prefira que ele não exista, a despeito da sua boa reputação: nem sempre o descanso descansa corações confrangidos. A tormenta, quando se instala, revolve eternamente, mantendo vivos sentimentos de procedência duvidosa, mas mantendo alguma coisa viva, pelo menos. Diferente da paz e do silêncio, diplomáticos demais para invadir as lacunas e se impor da forma que a tormenta faz.

Esse lugar entre o espaço e o tempo pode ser visto por qualquer um.

Existe o momento certo para alcançá-lo. Mas ele sempre passa correndo, super apressado, atrasado para o chá. E se o momento certo passa por você meu querido, ele não volta mais. nunca mais.

Esse lugar entre o espaço e o tempo pode ser visto por qualquer um, mas reconhecido por quase ninguém.

Lola