quarta-feira, 16 de abril de 2008

gorgeous




back here I am in search of answers
I won't accept what I was told
it's only fair to die from cancer
when you're old enough to say you're old
the reverb you left is never over
tolling for the only one who is not present -

still so gorgeous
so enchanted
so forever

Citóide

Desde que entrei na escola até o fim do ensino médio, a minha melhor amiga era a Malu. Nós éramos unha e carne, mesmo tendo personalidades totalmente discrepantes: ela era a típica menina metida de colégio, enquanto eu era a coisa mais desengonçada do mundo. Nunca entendi porque a garotinha que tinha o poder de me transformar no motivo de chacota para as outras crianças me quis como amiga, ou como ela mesma dizia, "melhor amiga de todas", muito menos os outros colegas. Por anos e anos foi ela quem me defendeu das brincadeirinhas cheias de crueldade que crianças e adolescentes de classe média sabem fazer tão bem.

A Malu e eu tínhamos uma amizade muito forte, apesar de ser abalada ocasionalmente pela atitude dela. Como eu disse antes, Malu era a típica menina metida do colégio. Me defendia com unhas e dentes, mas também não hesitava em se juntar com os meninos e meninas mais populares pra dar uma zoada nos nerds, esquisitos ou bolsistas (existia esse preconceito nos colégios particulares, pelo menos na minha época). Eu sempre assistia à distância, não queria participar daquilo, mas com o tempo vi que o meu distanciamentdo da "rodinha" (era assim que ela chamava o seu grupo de amigos) a deixava chateada.
- Você nunca mais ficou na rodinha... não ri mais comigo e parece que nem gosta dos meus amigos.
- É claro que eu gosto dos seus amigos, só fico com um pouco de vergonha - menti.
- Então amanhã você vai parar de bobeira e ficar junto da gente.

No outro dia lá estava eu, meio a contra-gosto. O papo rolava animado na rodinha, eu estava até gostando, mas depois de uma meia hora todas as atenções voltaram para uma pessoa de fora. A Malu começou a apontar para a Bianca, que todos chamavam de Bibi. Bibi não era um apelido carinhoso, era uma brincadeira com o excesso de peso da menina. Eles iam até ela e apertavam sua barriga, fazendo um som de buzina. Nunca vi a menina chorar, então presumi que ela realmente não se sentia incomodada. Naquele dia, a Bibi se vestia um pouco diferente do usual. Trazia no cabelo umas presilhas de borboleta bem bonitas, além de usar uma saia rodada e um batom rosa. O grupinho da Malu decidiu que iriam, de uma vez por todas, fazer a Bibi chorar.

A gordinha era apertada por todo o corpo, mas não se movia, não expressava nada no rosto. Vendo que o alvo da sua gozação continuava apático, um dos meninos começou a arrancar as presilhas do cabelo dela. Uma por uma.

-Por favor, não quebra não, foi presente da minha vó.

Diante dos pedidos dela, o menino ria mais e mais, quebrando as borboletinhas e jogando os restos no chão. Os outros garotos perguntavam se agora ela ia chorar.

- Não - respondeu de cara amarrada.

Nesse momento, Malu e duas outras meninas borraram o batom da Bibi, e a deixaram ainda mais descabelada. Aquilo tudo começu a me causar um mal estar terrível, meu estômago começou a revirar. A escola inteira rodeava a cena, rindo da menina gordinha que se encontrava descomposta, aguentando insultos inimagináveis. Comecei a me desvencilhar dos espectadores para procurar algum inspetor que desse conta daquela injustiça quando a mão da Malu agarrou o meu pulso.

- Pra onde você vai?

Na hora me senti a pior pessoa do mundo. Estava prestes a entregar a minha "melhor amigas de todas" na mão do diretor. Ela ficaria suspensa, de castigo em casa, e nunca mais falaria comigo.

- Vem aqui Lola, agora é a sua vez.

A Malu me empurrou para o centro da roda, me deixando cara a cara com a menina descabelada.

- O que você quer que eu faça, Malu?

Ela olhou em volta, e começou a gritar "Lola! Lola! Lola!", e todos em volta começaram a gritar meu nome, e bater palmas. Eles esperavam que eu dissesse alguma coisa. Do meio daquela multidão, eu ouvia frases como "xinga ela!", "chama ela de gorda!", "bate nela!". A Malu sorria pra mim com um olhar fixo, e tudo o que eu pude fazer na hora foi virar para a Bibi e estender a mão. A menina ajeitou o cabelo e sorriu pra mim, mas simultaneamente, o sorriso da Malu começou a se desmanchar. Larguei a mão da Bibi, recuei e cruzei os braços dizendo:

- Sua baleia.

Bibi chorou, colocou as duas mãos no rosto e saiu correndo, humilhada. As crianças em volta me aplaudiam, a Malu pulava sem parar do meu lado porque finalmente, eu tinha feito a gordinha-buzina chorar. Passei o dia inteiro colhendo os louros da minha surpreendente atuação. Fui para casa pensando que nunca mais poderia colocar os pés no colégio.

No outro dia não apareci na escola porque acordei com uma dor de garganta insuportável. À partir daquele dia, as dores na garganta tornaram-se sazonais. Desenvolvi o enorme talento de ficar doente quando sentia a iminência de situações que me provocam medo.

Voltei às aulas uma semana depois e fui recebida com muitos beijos e abraços pelos colegas da "rodinha". Quanto à Bibi, ela passou a sentar em uma das últimas carteiras da classe, e trazia no cabelo uma borboletinha só, talvez a única que tenha conseguido salvar naquele dia fatídico. Tentei me aproximar da menina várias vezes, mas ela ficou arredia, quando eu tentava uma abordagem, ela virava a cara e saía andando. Não era para menos. Eu sentia uma culpa sincera, que dilacerava o meu coração cada vez que a via. Não só por humilhá-la na frente de todos, mas por gostar da atenção que estava recebendo da Malu e dos amigos dela. Passei a freqüentar a rodinha todos dias, participando de todos os assuntos, das fofocas... e até das chacotas. Estava finalmente incluída, e na minha cabeça, estava desempenhando o meu papel de boa amiga, de um jeito ou de outro.

Ah, antes que eu esqueça, quero explicar rapidamente o porquê do meu comprometimento com a Malu naquela época. É que além de ser muito grata por ter sido acolhida por ela, me sentia no dever de protegê-la: sua mãe estava finalmente se divorciando do pai, que costumava beber e ficar muito violento. Às vezes acontecia de a minha amiga chegar na escola com uns hematomas. Nos escondíamos no parquinho para que ela pudesse chorar e conversar comigo. A pouca idade fazia com que eu ficasse chocada demais com a situação, por isso desenvolvi um senso de "responsabilidade" pela Malu que só fazia sentido na minha cabeça.

O problema era que ao mesmo tempo que me sentia uma boa amiga, me sentia um monstro. Existia o prazer de proteger a Malu e a vergonha de encarar a Bianca. No meio tempo em que não precisava lidar com as duas, me escondia em uma das salas de aula desativadas. Comecei indo para lá apenas para me esconder e pensar. Depois ia com lápis e papel, escrevia meus pensamentos para depois jogar tudo picadinho no lixo. Ficava com vergonha de guardar aquilo. Um dia tive um acesso de raiva ao rasgar o papel e me arranhei com o lápis. Vi um pouco de sangue escorrendo, e sem motivo aparente, me arranhei um pouco mais fundo. Me furar com um lápis depois de escrever virou um ritual. Eu saía da sala renovada, sem culpas, sem angústia. Mas no outro dia, o sentimento ruim estava lá, então precisava repetir a dose.

Com o passar dos anos, o lápis foi evoluindo. Na terceira série, ele virou uma tachinha. Lá pra sétima, pontinha de tesoura. No início do primeiro ano, já era um estilete bem afiado. O ciclo vicioso durou por anos a fio.

Hoje em dia não encontro muito a Malu por motivos óbvios: cada uma foi cuidar da sua própria vida. Nós crescemos, mudamos de cidade, começamos a correr atrás de propósitos paupáveis ao invés da atenção alheia. É claro que, vira e mexe, caímos de volta nos velhos hábitos: da última vez que eu a encontrei, ela falou mal de outras pessoas durante toda a conversa. Bom, quanto a mim, parece que estou muito bem, obrigada. O único problema de ter largado o estilete foi ter me apego à bebida e aos cigarros logo em seguida.

A estória da minha amizade com a Malu me voltou à memória enquanto eu saía do Laringologista com um exame na mão. Passei algumas semanas com um aperto enorme na garganta e os resultados apontaram um nódulo. Depois de adulta, minhas angústias continuavam explodindo como dores, inflamaçoes e corpos estranhos, somatizando-se em detrimento da minha saúde. Preciso amadurecer com urgência, antes que isto me mate.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

it comes to the point when you feel nothing

I was thinking about what you said
I was thinking about shame
The funny thing how you said
Cause it's better not to stay
Sure enough if you feel nothing
You're better off this way
Gets to the point where you can't breathe
It's the last word
I can see you understand

So here we are
At the last broadcast
Here we are
Our last broadcast

Sun on faces made us feel alive
The colours of the sky
Southern trees, made us enemies
Who knows the reason why?
You can't escape yourself
You can't just fall away
It comes to the point when you feel nothing
This is the last time
Cause I can see it in your eyes

So here we are
At the last broadcast
Here we are
Our last broadcast

This is
The last broadcast
Here we are
Our last broadcast

terça-feira, 8 de abril de 2008

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Wild them in the end.

A gente era o tipo de casal que as pessoas gostavam de olhar. Isso acontecia porque além de ser muito bonitinhos, a gente adorava sair, beber e se divertir na companhia um do outro e ainda conseguir a proeza de ser a alma da festa. Vivemos por anos um amor amigo e bonito, mas havia muito mais naquele relacionamento do que os olhos alheios poderiam enxergar. Eu vivia eufórica, misturando medo e fascínio por aquele homem, enquanto ele, bem, até hoje eu não sei direito o que ele tava fazendo ali.

O Henrí era do tipo de pessoa que precisa de um relacionamento pra sobreviver. Quantas vezes eu não o ouvi dizer "sempre tive namorada", "odeio morar sozinho", "se não estou apaixonado minha vida não faz sentido". Construiu bases muito sólidas em todos os seus romances anteriores, porém, surpreendentemente, elas ruíram cada de maneira mais trágica que a outra. Eu, por outro lado, estava experimentando a primeira vez que sentia necessidade de me comprometer. Não, necessidade não. Era amor mesmo. Até então não acreditava muito em monogamia e comprometimento, mas depois de encontrar o Henrique tudo mudou radicalmente. Ele era a tampa da minha panela, a metade da minha laranja, o sapato velho pro meu pé cansado, todos os clichês possíveis, imagináveis e irrefutáveis. Por isso mergulhei de cabeça, mesmo ficando um pouco assustada com o histórico dele.

O que me doeu na época foi descobrir que a solidão que eu sentia dentro daquele namoro não vinha da minha cabeça, e sim do fato de ele ser uma pessoa estável, que precisava de relacionamentos estáveis e construía um clima estável para que tudo ficasse... estável. Eu falava sobre as minhas dúvidas, sobre os meus desejos e necessidades na esperança de que fosse deixá-lo à vontade pra se abrir. Era agoniante não ter resposta alguma. Por estar apaixonada também desenvolvi um romantismo que eu não sabia que existia aqui dentro. Muitas vezes deixei bilhetes pela casa, mensagens no celular, ficava atenta a tudo que ele gostava e se tivesse $, não hesitava em comprar. Ele parecia não se importar, muito menos se importar em retribuir. O desespero foi crescendo ao longo do tempo. Como não conseguia mais falar, passei a gritar. Derrepente eu tinha me transformado na tão temida Pessoa Maluca do Relacionamento. E uma vez que vc se transforma nessa pessoa, suas chances de ser levado a sério escorrem pelo ralo pra sempre. Um belo dia cansei de vê-lo abanando a cabeça com condescendência, como quem pensa "o médico mandou não contrariar". Na vez em que ele precisou viajar por 3 semanas, levei TODAS minhas coisas pra casa do Alex. Eu já estava agilizando a entrega do meu apartamento porque iria me mudar pra um maior, mas desisti e comecei a negociar um no prédio do Alê. Também troquei o número do meu celular, endereço de e-mail, apaguei qualquer vestígio online que eu pudesse ter. O Henrique não foi na casa do Alex me procurar. Também não ligou. Nenhuma vez em dois anos.

O papel de Pessoa Maluca do Relacionamento que ele me deu foi desempenhado com mais naturalidade no final de tudo. Você pode ver um filme de merda, como dizem, mas se o final for bom, o resto da trama é validada. Wild them in the end.

É por isso que eu não quero lidar com a volta do Henrique. Não é medo não, sinceramente. Carreguei tanta negligência por tanto tempo que agora sinto uma honesta preguiça de tentar consertar as coisas. Primeiro porque ele me fez acreditar por um bom tempo que a minha emoção era imaturidade (ou melhor, maluquice). Segundo, porque eu desapareci da vida dele, evaporei, e ele não se mexeu... até agora. Quando a gente era casal, ele fazia aquela solidão inofensiva que eu sempre carreguei dentro de mim virar um monstro enlouquecido. É triste pensar que uma pessoa que você ama tanto é covarde ao ponto de não assumir suas próprias fraquezas, e pior, chegar a plantar em você fraquezas que nunca estiveram ali na verdade.

sábado, 5 de abril de 2008

sexta-feira, 4 de abril de 2008

São só palavras....

(Clássica)

Eu odeio essa visão pessimista

Eu não gosto de ser negativo

Mas tudo a minha volta às vezes parece com a queda em um precipício

Sei que parece estranho, que lhe parece ridículo. Que sou sempre tão alegre e às vezes até um pouco divertido.

Essa tal de sanidade, as vezes tão traiçoeira... a deixaria de lado pra encarar a vida de outra maneira

São só palavras, são só palavras,são e só. Só e são.

A cada respirada se está vivo.
A cada adormecida se está vivo.
A cada vitória se está vivo.
A cada fracasso, derrota se está vivo.
A cada mágoa, tristeza se está vivo.
A cada desmaio, inconsciência se está vivo.
A cada segundo, minuto, hora se está(e às vezes não se quer estar) vivo...



-Diogo Brandão


(http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=94138613)

terça-feira, 1 de abril de 2008

sempre mais.

      Os casais são tão iguais,
      por isto se casam
      e anunciam nos jornais.

      Os casais são tão iguais,
      por isto se beijam
      fazem filhos, se separam
      prometendo
      não se casarem jamais.

      Os casais são tão iguais,
      que além de trocar fraldas,
      tirar fotos, acabam se tornando
      avós e pais.

      Os casais são tão iguais,
      que se amam e se insultam
      e se matam na realidade
      e nos filmes policiais.

      Os casais são tão iguais,
      que embora jurem um ao outro
      amor eterno
      sempre querem mais.

      (Affonso Romano de Sant´Anna)

we won't stop until somebody calls the cops and even then we'll start again and just pretend that, nothing ever happened

loose lips might sink ships but loose kissess take trips to san francisco,
double dutch disco, tech tv hottie, do it for scotty do it for the living and do it for the dead
do it for the monsters under your bed, do it for the teenagers and do it for your mom

broken hearts hurt but they make us strong

we won't stop until somebody calls the cops and even then we'll start again and just pretend that ,nothing ever happened
we won't stop until somebody calls the cops and even then we'll start again and just pretend that nothing ever happened


we're just dancing, we're just hugging, singing, screaming, kissing, tugging on the sleeve of how it used to be how's it gonna be?

i'll drop kick russell stover, move into the starting over house and know matt rouse and jest are watching me achieve my dreams and
we'll pray, all damn day, every day, that all this shit our president has got us in will go away while

we strive to figure out a way we can survive these trying times without losing our minds


so if you wanna burn yourself remember that I LOVE YOU!
and if you wanna cut yourself remember that I LOVE YOU !
and if you wanna kill yourself remember that I LOVE YOU!
call me up before your dead, we can make some plans instead !!

send me an IM, i'll be your friend shysters live from scheme to scheme and my 4th quarter pipe dreams are seeming more and more worth fighting for so, i'll curate some situations, make my job a big vacation and i'll say FUCK BUSH AND FUCK THIS WAR

my war paint is sharpie ink and i'll show you how much my shit stinks and ask you what you think because your thoughts and words are powerful
they think we're disposable, well both my thumbs opposable are spelled out on a double word and triple letter score

we won't stop until somebody calls the cops and even then we'll start again and just pretend that, nothing ever happened
we won't stop until somebody calls the cops and even then we'll start again and just pretend that nothing ever happened

we're just dancing, we're just hugging, singing, screaming, kissing, tugging on the sleeve of how it used to be