quarta-feira, 16 de abril de 2008

gorgeous




back here I am in search of answers
I won't accept what I was told
it's only fair to die from cancer
when you're old enough to say you're old
the reverb you left is never over
tolling for the only one who is not present -

still so gorgeous
so enchanted
so forever

Citóide

Desde que entrei na escola até o fim do ensino médio, a minha melhor amiga era a Malu. Nós éramos unha e carne, mesmo tendo personalidades totalmente discrepantes: ela era a típica menina metida de colégio, enquanto eu era a coisa mais desengonçada do mundo. Nunca entendi porque a garotinha que tinha o poder de me transformar no motivo de chacota para as outras crianças me quis como amiga, ou como ela mesma dizia, "melhor amiga de todas", muito menos os outros colegas. Por anos e anos foi ela quem me defendeu das brincadeirinhas cheias de crueldade que crianças e adolescentes de classe média sabem fazer tão bem.

A Malu e eu tínhamos uma amizade muito forte, apesar de ser abalada ocasionalmente pela atitude dela. Como eu disse antes, Malu era a típica menina metida do colégio. Me defendia com unhas e dentes, mas também não hesitava em se juntar com os meninos e meninas mais populares pra dar uma zoada nos nerds, esquisitos ou bolsistas (existia esse preconceito nos colégios particulares, pelo menos na minha época). Eu sempre assistia à distância, não queria participar daquilo, mas com o tempo vi que o meu distanciamentdo da "rodinha" (era assim que ela chamava o seu grupo de amigos) a deixava chateada.
- Você nunca mais ficou na rodinha... não ri mais comigo e parece que nem gosta dos meus amigos.
- É claro que eu gosto dos seus amigos, só fico com um pouco de vergonha - menti.
- Então amanhã você vai parar de bobeira e ficar junto da gente.

No outro dia lá estava eu, meio a contra-gosto. O papo rolava animado na rodinha, eu estava até gostando, mas depois de uma meia hora todas as atenções voltaram para uma pessoa de fora. A Malu começou a apontar para a Bianca, que todos chamavam de Bibi. Bibi não era um apelido carinhoso, era uma brincadeira com o excesso de peso da menina. Eles iam até ela e apertavam sua barriga, fazendo um som de buzina. Nunca vi a menina chorar, então presumi que ela realmente não se sentia incomodada. Naquele dia, a Bibi se vestia um pouco diferente do usual. Trazia no cabelo umas presilhas de borboleta bem bonitas, além de usar uma saia rodada e um batom rosa. O grupinho da Malu decidiu que iriam, de uma vez por todas, fazer a Bibi chorar.

A gordinha era apertada por todo o corpo, mas não se movia, não expressava nada no rosto. Vendo que o alvo da sua gozação continuava apático, um dos meninos começou a arrancar as presilhas do cabelo dela. Uma por uma.

-Por favor, não quebra não, foi presente da minha vó.

Diante dos pedidos dela, o menino ria mais e mais, quebrando as borboletinhas e jogando os restos no chão. Os outros garotos perguntavam se agora ela ia chorar.

- Não - respondeu de cara amarrada.

Nesse momento, Malu e duas outras meninas borraram o batom da Bibi, e a deixaram ainda mais descabelada. Aquilo tudo começu a me causar um mal estar terrível, meu estômago começou a revirar. A escola inteira rodeava a cena, rindo da menina gordinha que se encontrava descomposta, aguentando insultos inimagináveis. Comecei a me desvencilhar dos espectadores para procurar algum inspetor que desse conta daquela injustiça quando a mão da Malu agarrou o meu pulso.

- Pra onde você vai?

Na hora me senti a pior pessoa do mundo. Estava prestes a entregar a minha "melhor amigas de todas" na mão do diretor. Ela ficaria suspensa, de castigo em casa, e nunca mais falaria comigo.

- Vem aqui Lola, agora é a sua vez.

A Malu me empurrou para o centro da roda, me deixando cara a cara com a menina descabelada.

- O que você quer que eu faça, Malu?

Ela olhou em volta, e começou a gritar "Lola! Lola! Lola!", e todos em volta começaram a gritar meu nome, e bater palmas. Eles esperavam que eu dissesse alguma coisa. Do meio daquela multidão, eu ouvia frases como "xinga ela!", "chama ela de gorda!", "bate nela!". A Malu sorria pra mim com um olhar fixo, e tudo o que eu pude fazer na hora foi virar para a Bibi e estender a mão. A menina ajeitou o cabelo e sorriu pra mim, mas simultaneamente, o sorriso da Malu começou a se desmanchar. Larguei a mão da Bibi, recuei e cruzei os braços dizendo:

- Sua baleia.

Bibi chorou, colocou as duas mãos no rosto e saiu correndo, humilhada. As crianças em volta me aplaudiam, a Malu pulava sem parar do meu lado porque finalmente, eu tinha feito a gordinha-buzina chorar. Passei o dia inteiro colhendo os louros da minha surpreendente atuação. Fui para casa pensando que nunca mais poderia colocar os pés no colégio.

No outro dia não apareci na escola porque acordei com uma dor de garganta insuportável. À partir daquele dia, as dores na garganta tornaram-se sazonais. Desenvolvi o enorme talento de ficar doente quando sentia a iminência de situações que me provocam medo.

Voltei às aulas uma semana depois e fui recebida com muitos beijos e abraços pelos colegas da "rodinha". Quanto à Bibi, ela passou a sentar em uma das últimas carteiras da classe, e trazia no cabelo uma borboletinha só, talvez a única que tenha conseguido salvar naquele dia fatídico. Tentei me aproximar da menina várias vezes, mas ela ficou arredia, quando eu tentava uma abordagem, ela virava a cara e saía andando. Não era para menos. Eu sentia uma culpa sincera, que dilacerava o meu coração cada vez que a via. Não só por humilhá-la na frente de todos, mas por gostar da atenção que estava recebendo da Malu e dos amigos dela. Passei a freqüentar a rodinha todos dias, participando de todos os assuntos, das fofocas... e até das chacotas. Estava finalmente incluída, e na minha cabeça, estava desempenhando o meu papel de boa amiga, de um jeito ou de outro.

Ah, antes que eu esqueça, quero explicar rapidamente o porquê do meu comprometimento com a Malu naquela época. É que além de ser muito grata por ter sido acolhida por ela, me sentia no dever de protegê-la: sua mãe estava finalmente se divorciando do pai, que costumava beber e ficar muito violento. Às vezes acontecia de a minha amiga chegar na escola com uns hematomas. Nos escondíamos no parquinho para que ela pudesse chorar e conversar comigo. A pouca idade fazia com que eu ficasse chocada demais com a situação, por isso desenvolvi um senso de "responsabilidade" pela Malu que só fazia sentido na minha cabeça.

O problema era que ao mesmo tempo que me sentia uma boa amiga, me sentia um monstro. Existia o prazer de proteger a Malu e a vergonha de encarar a Bianca. No meio tempo em que não precisava lidar com as duas, me escondia em uma das salas de aula desativadas. Comecei indo para lá apenas para me esconder e pensar. Depois ia com lápis e papel, escrevia meus pensamentos para depois jogar tudo picadinho no lixo. Ficava com vergonha de guardar aquilo. Um dia tive um acesso de raiva ao rasgar o papel e me arranhei com o lápis. Vi um pouco de sangue escorrendo, e sem motivo aparente, me arranhei um pouco mais fundo. Me furar com um lápis depois de escrever virou um ritual. Eu saía da sala renovada, sem culpas, sem angústia. Mas no outro dia, o sentimento ruim estava lá, então precisava repetir a dose.

Com o passar dos anos, o lápis foi evoluindo. Na terceira série, ele virou uma tachinha. Lá pra sétima, pontinha de tesoura. No início do primeiro ano, já era um estilete bem afiado. O ciclo vicioso durou por anos a fio.

Hoje em dia não encontro muito a Malu por motivos óbvios: cada uma foi cuidar da sua própria vida. Nós crescemos, mudamos de cidade, começamos a correr atrás de propósitos paupáveis ao invés da atenção alheia. É claro que, vira e mexe, caímos de volta nos velhos hábitos: da última vez que eu a encontrei, ela falou mal de outras pessoas durante toda a conversa. Bom, quanto a mim, parece que estou muito bem, obrigada. O único problema de ter largado o estilete foi ter me apego à bebida e aos cigarros logo em seguida.

A estória da minha amizade com a Malu me voltou à memória enquanto eu saía do Laringologista com um exame na mão. Passei algumas semanas com um aperto enorme na garganta e os resultados apontaram um nódulo. Depois de adulta, minhas angústias continuavam explodindo como dores, inflamaçoes e corpos estranhos, somatizando-se em detrimento da minha saúde. Preciso amadurecer com urgência, antes que isto me mate.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

it comes to the point when you feel nothing

I was thinking about what you said
I was thinking about shame
The funny thing how you said
Cause it's better not to stay
Sure enough if you feel nothing
You're better off this way
Gets to the point where you can't breathe
It's the last word
I can see you understand

So here we are
At the last broadcast
Here we are
Our last broadcast

Sun on faces made us feel alive
The colours of the sky
Southern trees, made us enemies
Who knows the reason why?
You can't escape yourself
You can't just fall away
It comes to the point when you feel nothing
This is the last time
Cause I can see it in your eyes

So here we are
At the last broadcast
Here we are
Our last broadcast

This is
The last broadcast
Here we are
Our last broadcast

terça-feira, 8 de abril de 2008

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Wild them in the end.

A gente era o tipo de casal que as pessoas gostavam de olhar. Isso acontecia porque além de ser muito bonitinhos, a gente adorava sair, beber e se divertir na companhia um do outro e ainda conseguir a proeza de ser a alma da festa. Vivemos por anos um amor amigo e bonito, mas havia muito mais naquele relacionamento do que os olhos alheios poderiam enxergar. Eu vivia eufórica, misturando medo e fascínio por aquele homem, enquanto ele, bem, até hoje eu não sei direito o que ele tava fazendo ali.

O Henrí era do tipo de pessoa que precisa de um relacionamento pra sobreviver. Quantas vezes eu não o ouvi dizer "sempre tive namorada", "odeio morar sozinho", "se não estou apaixonado minha vida não faz sentido". Construiu bases muito sólidas em todos os seus romances anteriores, porém, surpreendentemente, elas ruíram cada de maneira mais trágica que a outra. Eu, por outro lado, estava experimentando a primeira vez que sentia necessidade de me comprometer. Não, necessidade não. Era amor mesmo. Até então não acreditava muito em monogamia e comprometimento, mas depois de encontrar o Henrique tudo mudou radicalmente. Ele era a tampa da minha panela, a metade da minha laranja, o sapato velho pro meu pé cansado, todos os clichês possíveis, imagináveis e irrefutáveis. Por isso mergulhei de cabeça, mesmo ficando um pouco assustada com o histórico dele.

O que me doeu na época foi descobrir que a solidão que eu sentia dentro daquele namoro não vinha da minha cabeça, e sim do fato de ele ser uma pessoa estável, que precisava de relacionamentos estáveis e construía um clima estável para que tudo ficasse... estável. Eu falava sobre as minhas dúvidas, sobre os meus desejos e necessidades na esperança de que fosse deixá-lo à vontade pra se abrir. Era agoniante não ter resposta alguma. Por estar apaixonada também desenvolvi um romantismo que eu não sabia que existia aqui dentro. Muitas vezes deixei bilhetes pela casa, mensagens no celular, ficava atenta a tudo que ele gostava e se tivesse $, não hesitava em comprar. Ele parecia não se importar, muito menos se importar em retribuir. O desespero foi crescendo ao longo do tempo. Como não conseguia mais falar, passei a gritar. Derrepente eu tinha me transformado na tão temida Pessoa Maluca do Relacionamento. E uma vez que vc se transforma nessa pessoa, suas chances de ser levado a sério escorrem pelo ralo pra sempre. Um belo dia cansei de vê-lo abanando a cabeça com condescendência, como quem pensa "o médico mandou não contrariar". Na vez em que ele precisou viajar por 3 semanas, levei TODAS minhas coisas pra casa do Alex. Eu já estava agilizando a entrega do meu apartamento porque iria me mudar pra um maior, mas desisti e comecei a negociar um no prédio do Alê. Também troquei o número do meu celular, endereço de e-mail, apaguei qualquer vestígio online que eu pudesse ter. O Henrique não foi na casa do Alex me procurar. Também não ligou. Nenhuma vez em dois anos.

O papel de Pessoa Maluca do Relacionamento que ele me deu foi desempenhado com mais naturalidade no final de tudo. Você pode ver um filme de merda, como dizem, mas se o final for bom, o resto da trama é validada. Wild them in the end.

É por isso que eu não quero lidar com a volta do Henrique. Não é medo não, sinceramente. Carreguei tanta negligência por tanto tempo que agora sinto uma honesta preguiça de tentar consertar as coisas. Primeiro porque ele me fez acreditar por um bom tempo que a minha emoção era imaturidade (ou melhor, maluquice). Segundo, porque eu desapareci da vida dele, evaporei, e ele não se mexeu... até agora. Quando a gente era casal, ele fazia aquela solidão inofensiva que eu sempre carreguei dentro de mim virar um monstro enlouquecido. É triste pensar que uma pessoa que você ama tanto é covarde ao ponto de não assumir suas próprias fraquezas, e pior, chegar a plantar em você fraquezas que nunca estiveram ali na verdade.

sábado, 5 de abril de 2008

sexta-feira, 4 de abril de 2008

São só palavras....

(Clássica)

Eu odeio essa visão pessimista

Eu não gosto de ser negativo

Mas tudo a minha volta às vezes parece com a queda em um precipício

Sei que parece estranho, que lhe parece ridículo. Que sou sempre tão alegre e às vezes até um pouco divertido.

Essa tal de sanidade, as vezes tão traiçoeira... a deixaria de lado pra encarar a vida de outra maneira

São só palavras, são só palavras,são e só. Só e são.

A cada respirada se está vivo.
A cada adormecida se está vivo.
A cada vitória se está vivo.
A cada fracasso, derrota se está vivo.
A cada mágoa, tristeza se está vivo.
A cada desmaio, inconsciência se está vivo.
A cada segundo, minuto, hora se está(e às vezes não se quer estar) vivo...



-Diogo Brandão


(http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=94138613)

terça-feira, 1 de abril de 2008

sempre mais.

      Os casais são tão iguais,
      por isto se casam
      e anunciam nos jornais.

      Os casais são tão iguais,
      por isto se beijam
      fazem filhos, se separam
      prometendo
      não se casarem jamais.

      Os casais são tão iguais,
      que além de trocar fraldas,
      tirar fotos, acabam se tornando
      avós e pais.

      Os casais são tão iguais,
      que se amam e se insultam
      e se matam na realidade
      e nos filmes policiais.

      Os casais são tão iguais,
      que embora jurem um ao outro
      amor eterno
      sempre querem mais.

      (Affonso Romano de Sant´Anna)

we won't stop until somebody calls the cops and even then we'll start again and just pretend that, nothing ever happened

loose lips might sink ships but loose kissess take trips to san francisco,
double dutch disco, tech tv hottie, do it for scotty do it for the living and do it for the dead
do it for the monsters under your bed, do it for the teenagers and do it for your mom

broken hearts hurt but they make us strong

we won't stop until somebody calls the cops and even then we'll start again and just pretend that ,nothing ever happened
we won't stop until somebody calls the cops and even then we'll start again and just pretend that nothing ever happened


we're just dancing, we're just hugging, singing, screaming, kissing, tugging on the sleeve of how it used to be how's it gonna be?

i'll drop kick russell stover, move into the starting over house and know matt rouse and jest are watching me achieve my dreams and
we'll pray, all damn day, every day, that all this shit our president has got us in will go away while

we strive to figure out a way we can survive these trying times without losing our minds


so if you wanna burn yourself remember that I LOVE YOU!
and if you wanna cut yourself remember that I LOVE YOU !
and if you wanna kill yourself remember that I LOVE YOU!
call me up before your dead, we can make some plans instead !!

send me an IM, i'll be your friend shysters live from scheme to scheme and my 4th quarter pipe dreams are seeming more and more worth fighting for so, i'll curate some situations, make my job a big vacation and i'll say FUCK BUSH AND FUCK THIS WAR

my war paint is sharpie ink and i'll show you how much my shit stinks and ask you what you think because your thoughts and words are powerful
they think we're disposable, well both my thumbs opposable are spelled out on a double word and triple letter score

we won't stop until somebody calls the cops and even then we'll start again and just pretend that, nothing ever happened
we won't stop until somebody calls the cops and even then we'll start again and just pretend that nothing ever happened

we're just dancing, we're just hugging, singing, screaming, kissing, tugging on the sleeve of how it used to be

sábado, 29 de março de 2008

QUERO TE GUARDAR, DENTRO DE UMA CAIXINHA, DENTRO DO MEU BOLSO

Te prometo que crio um mundo fantástico onde viajar no tempo é possível. Vamos pras Arábias das Mil e uma Noites encontrar princesas trancadas num castelo de 130 quartos, vestidas com véus e pulseiras, ansiosas por algum tipo de diversão. Dentro da sua caixinha haverá um sol sempre brilhante e alguma neve nas montanhas. Faremos uma viagem ao fundo do mar onde vamos conhecer uns bichos estranhos, de cabeças enormes e olhos brilhantes. Inimaginavelmente ricos, vamos celebrar a luxúria. Daremos uma festa dentro de uma limusine numa noite interminavelmente animada e vamos nos exceder em tudo, porque somos invencíveis! No mundo dentro da sua caixinha nada será imperfeito. Animais selvagens comerão das nossas mãos. Andarão livres, soltos, saudáveis e felizes, exatamente como deveria ser. Te prometo um quarto onde só será preciso pensar e tudo que produz som até hoje criado simplesmente aparecerá. E quando tudo cansar, é só abrir uma porta e encontrar uma cama macia e quentinha. E a Karenin também vai estar lá, entretida com uma bolinha, balançando o cotoco que disseram pra ela que é um rabo. Nenhum pensamento insano nunca vai surgir, e a locomotiva vai ganhar um freio, e um volante.


Eu quero te guardar dentro de uma caixinha que vou levar no meu bolso, pra onde eu for...



Nem lembro a primeira vez que eu o vi,nem quando o conheci, só sei que faz algum tempo. Também não lembro quando foi que percebi que algo seria diferente, mas desde que me lembro soube que não seria a toa. Não é só por ser lindo, nem incrivelmente sexy. Não é só pela voz, nem pelo jeito doce, nem pela animação contagiante. Não é só por ser admiravelmente talentoso ou ter um sorriso lindo. Qualquer um pode ver o óbvio. É pelo que corre nas entrelinhas e só a convivência mostra.Porque com ele me sinto compreendida numa forma que nunca senti. É por estar junto e ter a incrível sensação que o mundo parou. É por conversar a noite inteira e não perceber que amanheceu, e no dia seguinte ver que o que se falou não foi em vão. É por ver que o que andava solto, está tomando uma forma. E eu gosto da forma que está tomando. É por poder ser meio criança e fazer guerra de almofadas. É por passar uma tarde meio mongol, meio implicante, sem ter vergonha. É porque estar junto é a mesma coisa que ter o sorriso virado prum sol de primavera, deliciosamente quentinho. É por finalmente ver que a intimidade não precisa ser assustadora e que estar verdadeiramente próximo de alguém não vai te levar prum mundo de monstros e mães canibais. Estar próximo de alguém, afinal, pode ser gostoso e aconchegante. É por não ter que colocar o que está acontecendo dentro de algum arquivo pronto e imposto, e mesmo assim perceber que, mesmo sem nome, esse lugar pode ser um lugar seguro. E embora muitos não entendam muito bem como isso é possível, uma confiança está sendo conquistada. É por ter, sem nenhuma pretensão, criado um Brinquedo que está virando um parque de diversão!



Se por uma reviravolta qualquer dessas que o destino prega nossos caminhos se desviarem, quero ter guardado esse Brinquedo dentro de uma caixinha que vou levar dentro do bolso, junto com tudo que valeu a pena nessa vida!

sexta-feira, 28 de março de 2008

...acordando...


- você gosta de mim ...

- ...uhum...

- "uhum" como ...

- ...uhum algo...

- "algo" quanto ...

- ...algo imenso...





sexta-feira, 21 de março de 2008

he floods me with dread


If I was my heart
I'd rather be restless
The second I stop the sleep catches up and I'm breathless
This ache in my chest
As my day is done now
The dark covers me and I cannot run now

Plutão

há muitas noites tenho chegado em casa depois das 4 da manhã. passar noites fora e bebendo com os amigos tem ajudado minha cabeça a parar de rodar um pouco. não queria que fosse desse jeito, sabe, eu poderia muito bem retomar velhos hábitos saudáveis, como correr na beira da praia ouvindo música, mas a preguiça sentou bem em cima da minha corcunda e não quer sair.
a semana tinha sido agitada, e uma das minhas companhias de bebedeira tem sido um grande amigo que terminou um relacionamento recentemente. depois de muito desabafar comigo ele decidiu que o namoro estava desgastado, que não conseguia mais sentir a empolgação que sentia no início do romance com o cara... problema típico de quem decide se comprometer jovem demais. Enfim.

a angústia do meu amigo vem me fazendo um pouco mal, não só porque eu o amo e fico compadecida, mas porque parei pra pensar e vi que as pessoas próximas a mim sempre tomam decisões drásticas depois de ouvir os meus conselhos. tudo bem, não serei ególatra ao ponto de dizer que tenho o poder de influenciar mentes confragidas por romances à beira do fracasso, porém não pude deixar de perceber que sempre sou eu quem dá o empurrãozinho
final em todos que me procuram. ajudar alguém a chegar que vc gosta a chegar
à uma conclusão que leve embora o peso da angústia é legal, por isso acaba sendo eu quem dá o wake up call porque sou o tipo de pessoa que se desvencilha fácil das situações
que fazem mal. não porque sou forte, madura e tenho muito amor pela minha pessoa, é óbvio que não. é que na verdade, lá no fundo da minha cabeça mora uma pequena mania
de grandeza. me desvencilho pra depois afirmar pra mim mesma "viu o que eu posso fazer?". No fundo, no fundo, tenho medo de dinamitar as bases, sofro, quero ligar, quero implorar, quero tentar consertar. mas o medo é tão gigante que procuro outra situação fudida, pra depois sair
vitoriosa. Destruo com medo de destruir e sou viciada nisso.

Na noite de ontem meu amigo agradeceu pela força e disse que estaria aqui pro que eu precisasse. agradeci, mas me senti uma farsa. mesmo sabendo que poderia contar com ele, não revelei nada sobre essas minhocas que vem passeando pelos meus pensamentos. ele estava se sentindo bem, então preferi deixá-lo como estava. por enquanto é melhor que ele não saiba que esta pessoa que é tida como "sensata" e "conselheira" deixa sua própria vida à míngua.

numa boa, se existe algum vilão de estória em quadrinhos que usa os seus poderes pro bem, pode crer que ele foi inspirado em mim. (opa, desculpa, quem acabou de afirmar isso foi a minha mania de grandeza).

fiquei acordada até às 8 da manhã, mesmo depois de ter bebido bastante whisky e ter fumado um maço de cigarros inteiro. Tomei um banho pra me recompor porque às nove tinha um encontro marcado com a Dra Psicóloga. não estava nem um pouco a fim de voltar, mas acontece que fui em dois Doutores Gastro com as minhas famosas dores de estômago e eles recomendaram um tratamento psicoterapeutico urgente. pra um deles eu meio que cheguei a implorar por outro remédio, então o doutor gastro número dois falou "tudo bem", rabiscou o prontuário, dobrou e colocou no meu bolso: "só abre quando chegar lá fora, ok?", e deu um sorrisinho. Quando abri, li que o nome do remédio era "vai cuidar desta cabecinha. Você é jovem demais para viver tão estressada".

então sentei no divãzinho e baixei a guarda para a doutora psicóloga. Ela disse:

- hmm. dinamitar as bases. bloqueios. auto-sabotagem... olha minha querida, se confiar em mim,
poderei ajudá-la a acabar com esse vandalismo sentimental em pouco tempo.

de super vilã fui rebaixada a vândala. nossa, agora sim é que eu vou precisar de muito tratamento.

- você acha que pode se comprometer em vir aqui uma vez por semana?
- sim, sim.
- você não vai mais desmarcar 5 consultas seguidas com a mesma desculpa?
- não, claro que não.
- nem me deixar esperando por outras 5 sem desculpa nenhuma?
- não, que é isso...
- então bem vinda à bordo. sua vida não precisa mais ser um inferno... e nem seu hálito cheirar a whisky. Aqui, toma essa balinha.

**

segunda-feira, 10 de março de 2008

estômago, me dá uma trégua!

São três e quinze, tento dormir, mas a fome não deixa. A cabeça gira; me concentro pra não perder nenhuma palavra e deixar de aprender a lição do dia. O aprendizado é doloroso, mas vale a pena. Alimento ainda não desce, entalou. A comida rola chiclete na boca. Minha vontade é cuspir. Como se já não bastassem todas as neuroses, ainda sou agraciada com uma porra de uma semi- anorexia indigesta. Valeu mãe!

Os vazios da alma, acompanhados de um vazio na barriga. Claro, tinha que ter algum mal físico. Imagina se iriam facilitar, se podem dificultar. Pra que não é mesmo?

Levanto. Decido que algo precisa entrar. A fome aperta, a sensação de tontura aumenta e com ela a falta de ar.

Segura a minha mão, só até eu acabar? Promete que não solta....

Que relação estranha cada um de nós tem com a comida. Uns comem brigadeiros pra se acalmar. Outros engordam pra se esconder do mundo dentro da capa de gordura. Outros resistem e se matam aos pouquinhos, passando dias e dias, morrendo de fome e sem conseguir comer.

Mas eu tenho esperança, e uma vontade obsessiva de ser alguém melhor. Eu sei que daqui a pouco vai passar. É só mais um pedaço de vida ruim, como muitos, que vão passar... eu sei que vão!

sábado, 8 de março de 2008

VIVENDO DE AR

Uma parte de mim não se importa de morrer. A outra, luta desesperadamente pra viver. O lado suicida não pensa em conseqüências. Atravessa a rua sem olhar e não ouve as buzinas. Esse lado acha que já se perdeu o suficiente por uma vida e agora está na hora de começar uma outra.O lado bom, o que luta, consegue parar por alguns segundos a locomotiva insana que disparou e sente um lampejo de esperança. Esse pensa em abrir as cortinas e deixar o sol entrar.

Não é culpa de ninguém. A culpa é da culpa que se esconde em algum lugar tão seguro que por vezes se pensa que ela nem existe. A culpa mora na parte nebulosa. É esse lado que não me deixa comer. Que me faz sentir nojo e náuseas. É ele que entala a minha garganta e seca a minha boca. É ele que revira o meu estômago e me faz querer vomitar qualquer coisa. Algo se esconde tão profundamente dentro de mim, tão poderoso que ocupa o lugar do que necessito pra sobreviver.

O lado bom luta, e manda sinais que está no limite. Mantém meu corpo alerta e em estado econômico. É por isso que meu raciocínio fica lento. O lado bom me avisa que estou fraca, vivendo no limite do possível, me deixando tonta. Algumas vezes sinto falta de ar. Eu sinto fome, o corpo dói, mas não desce. Entalou.

E tudo isso porque? Pra que? Pra que viver? Pra que morrer? Pra que continuar ou parar, pra que dormir e acordar? Pra que serve o ar, pra que serve a falta de ar?

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

WHAT'S THE POINT??


Quando era criança, a culpada pelas minhas dores era a minha mãe. Adolesente eram meus namorados, e na falta deles, minhas amigas. Mais adulta resolvi que todo o meu mundo pertenceria ao meu marido. Se ele ruisse, ruiria a casa,a família, meu castelo e minhas tranças de rapunzel. Agora que o príncipe virou sapo, procuro outros culpados pela minha solidão. Mas sozinha, pela primeira vez na vida, a quem vou culpar pelas tristeza que assolam a minha alma? Não existe compromisso, não existe comprometimento, sou uma bolha de ar solta ao vento. À quem vou transferir a responsabilidade pela minha ansieade e instabilidade? Quem agora vai poder transformar que eu sinto numa maravilhosa manhã de sol? Quem agora vai poder me colorir por dentro? Agora que não existe mais ninguém, eu descobri que de nada vale adiar, nem mentir. Essas dores são minhas e de mais ninguém. E deve haver algum jeito de fazê-las transformar em algo bom.


Abre as cortinas e deixa o sol entrar!


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Embaraço.

No domingo de manhã acordei com aquela dor de cabeça e o estomago em chamas. A garrafa de whisky do lado da cama estava vazia, eu usava a mesma roupa da noite de ontem, e o papelzinho com o número dele estava amassado, ao lado do meu telefone. Não lembro de ter ligado. Espero não ter falado nenhuma merda. Comecei a me levantar e organizar os pensamentos quando o Alex me chamou pelo interfone. Mandei subir. Estava tão desnorteada que nem liguei pra zoada que ele deu no meu cabelo, assim que entrou.

- Parece a Elza Soares ruiva!

Ressaca misturada com dor de cotovelo me deixa realmente zen. Filei um cigarro e o Alex começou a fazer small talk. Tipo, sempre que precisa me pedir alguma coisa, ele dá uma volta tremenda pra chegar ao ponto. Começou falando do meu cabelo, depois do tempo, depois do cara que ele pegou ontem, depois do sonho que ele teve...

- Nossa, eu tive um sonho muito louco, você não imagina! Eu estava de pé em uma calçada, fantasiado pro carnaval! Muito louco isso, porque você sabe que eu detesto carnaval. De um lado da calçada era Paris, do outro era o Rio de Janeiro! Saí correndo louco pra Paris arrancando fora o raio da fantasia, mas um mendigo louco me enrolou numa rede e me jogou na Sapucaí! Então aconteceu o seguinte...

Cada vez que ele falava "louco", assumia um tom de voz agudo que alfinetava meu cérebro ressacado.

Pronto, acabou meu zen. Comecei a ficar meio irritada, mas ele tinha cigarro, então me deixei enrolar um pouquinho mais. Até que finalmente...

- Lolita, vou fazer uma festinha lá em casa hoje à noite, será que você poderia me dar uma ajudinha?
- Ai, mas agora? Acabei de acordar cara..
- Não, agora não, vai se recuperando aí, toma um banhozinho, a gente marca um 10 aqui e vai lá pra casa.
- Tá, tá., tudo bem... será que eu posso saber o motivo da festinha?
- Ah, to a fim de badalar, e também tem uma amiga fazendo aniversário, então junta tudo...
- Beleza.

Nem quis saber quem tava fazendo aniversário, quem ia na festa, nada. Tomei banho, dei uma golada num café, coloquei meus óculos escuros e fui pra casa do Alex. Limpamos o lugar, tiramos os móveis, organizamos a trilha sonora, gelamos os bebes, arrumamos uns comes. O Alê sabia que o evento dele não sairia sem mim, porque porra, ele é enrolado demais. Com tudo pronto, falei que precisava voltar em casa pra tomar outro banho e colocar uma roupa mais apropriada. Ele disse "esteja de volta às 10".

Quando coloquei o dedo na campainha eram exatamente uma e cinco da manhã. Pontualidade nunca foi meu forte. Esperei um pouquinho antes de tocar. Ainda bem que hesitei, porque a porta estava apenas encostada. A música já estava rolando e ouvia-se muita conversa, risos e gritinhos. A festa já estava lá, eu precisava entrar. Tirei o dedo da campainha, respirei fundo, preciso encarar esse bando de gente. Vamos lá, força! Não custa nada Lola, sua roupa está perfeita, seu cabelo no lugar. Ih, melhor dar uma olhada na maquiagem outra vez, cadê o espelhinho? Passa mais batom. Agora entra. Não. Tá, agora vai.

Já estavam cantando parabéns. A vontade que me deu de sair correndo do apartamento do Alex foi enorme quando li, bem no centro da sala, uma faixa colorida que dizia, bem grande, FELIZ ANIVERSARIO LUX. Não acreditei nos meus olhos. Eu ajudei a planejar a festa da LUX? O Alê jogou muito sujo cara, porque ele sabia que se eu soubesse que era aniversário daquela garota eu não ajudaria. Fingido! Fiquei no canto da sala esperando acabar o burburinho, muito sem graça de cumprimentar os convidados na hora em que todas as atenções estavam voltadas para a aniversariante. A maioria das pessoas ali sabem que a Lux e eu não nos bicamos, por isso preferi me fazer invisível pra evitar comentários. Sem contar que todo e qualquer clima de feliz aniversário me deixa bastante desconfortável.

Odeio aniversários do fundo do meu coração. Nos meus álbuns de família, estou com a boca escancarada a chorar em TODAS as fotos. Nas dos meus aniversários e nas dos outros parentes. Não sei quando começou esse trauma de aniversário, mas está comigo desde muito cedo. Enquanto me encolhia para não ter minha presença notada, tirei o celular do bolso. O truque de olhar o celular quando se está deslocado em alguma situação social é muito óbvio, porém reconfortante. Pra minha surpresa, havia umas 6 ligações perdidas, vindas do mesmo número, e uma mensagem.

- Porque você não me atende? Preciso MUITO (sim, o muito estava em caixa alta) falar com você. Por favor, não faz assim. Henrique.

Meu coração gelou. Não era nele em quem eu estava querendo pensar. Naquele momento, precisava me esforçar pra socializar discretamente quando o povo dispersasse. Concentra, Lola, concentra! Os pêlos na minha nuca arrepiaram, senti um certo enjôo, uma vontade de sair dali, mas minhas pernas não obedeciam. Procurando não pensar nos espasmos que a mensagem do Henrique estavam causando no meu corpo, olhei pra mesa onde todos se reuniam pra parabenizar a Lux. Ela estava diferente. Ria, abraçava as pessoas, se divertia com os presentinhos. Por um momento ela parecia uma menininha. Há de se dar crédito pra quem consegue deixar a criança interna escapulir assim. Resolvi, num ímperto, que o melhor a fazer era ir até à mesa.

- Oi, Lux. Feliz aniversário!

A facilidade que tenho em me colocar em situações constrangedoras é irmã gêmea da minha fobia social. Ela também simpatiza bastante com o meu trauma de aniversários.

No vácuo de alguns nano segundos que precederam a resposta da Lux, ouvi um bipe vindo do meu bolso. Ainda bem que a bateria do celular acabou.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Ay, doctor


... porque al fin y al cabo nadie se avergüenza de respirar o de ponerse los zapatos; son cosas que se hacen, y cuando pasa algo raro, cuando dentro del zapato encontramos una araña o al respirar se siente como un vidrio roto, entonces hay que contar lo que pasa, contarlo a los muchachos de la oficina o al médico. Ay, doctor, cada vez que respiro... Siempre contarlo, siempre quitarse esa cosquilla molesta del estómago.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Baloons...

Me sinto completamente insana. Decisões que tomo e não se sustentam. Idéias que surgem e desaparecem, esqueço completamente. Minha cabeça voa. Acho que presto atenção para depois perguntar de novo. A cada dez minutos decido meu destino. Em nenhum deles tenho certeza do final. Estado de confusão mental indisciplinada. Seria tão mais fácil se decidissem por mim. Não sofro, não me sinto feliz, não quero nada muito, também não deixo de querer. Me sinto apaixonada com a vida para logo depois me achar uma infeliz. Diz uma amiga, psicóloga e astróloga, que é o meu inferno astral. Gente, graças a deus meu aniversário está perto!


Eu tenho esse relacionamento, que não ata nem desata, que fica lá a mercê da maré e dos nossos humores. Eu fico feliz, mas também fico infeliz. Me sinto apaixonada, como também me sinto despegada. Sinto raiva e sinto amor. Sinto amor e sinto indiferença. Sinto saudade e muitas vezes não sinto nada. Eu tenho esse relacionamento que está parado no meio do caminho. Que é só uma promessa, e como toda promessa não diz a que veio. Ele não cresce nem diminui. Não é maravilhoso e também não tortura o suficiente. Muitas vezes é divertido e acolhedor, mas qual amigo não é? Eu tenho esse relacionamento que ganhou um prazo. E o prazo é alguém que não conheço e está chegando, e aí sim, aí teremos uma resposta. Ou minha, ou dele. E saberemos pra onde vamos, e finalmente a estrada vai mostar seu caminho, ou seu fim.


Algum dia eu acreditei que pudesse dar certo, mas agora já não sei mais. Mas também não sei de nada nesse monento. O que eu sei, e disso tenho certeza, é que preciso do outro para me decidir. O que eu sei, é que preciso que o outro me mostre o quanto me quer, o quanto a minha presença faz diferença. O que eu sei, é que detesto ser qualquer uma, e detesto que se refiram à mim como "tanto faz". O que eu sei, e disso tenho certeza, é que eu poderia acreditar, e poderia amar, e poderia tentar, mas preciso de uma resposta, preciso da vontade do outro. Sozinha não tenho força pra conquistar.



Eu sou aquele tipo de mulher por quem os homens nunca se apaixonam. Eles respeitam, e admiram, e comigo assaltam um banco e fazem muitas loucuras. As vezes choramos baixinho, ou fazemos planos. Eu sou aquele tipo de mulher que está sempre ali, um porto seguro. Meio louco, meio indeciso, mas seguro.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

05:35 A.M

"Você dá importância demais aos vultos do seu passado!". Aí está a última fala da nossa última discussão. Diante do abandono que senti ao ouvir essa afirmação tão categórica, virei as costas e me dirigi à porta da rua. Se tal afirmação acompanhasse uma voz mais suave, compreensiva, embebida em um conselho valioso ou até mesmo uma tentativa de conselho, tudo seria diferente. Mas não. Ela veio seca, sentenciosa, lacônica. Será que ele não tem mais nada a dizer?

Mal sabe o dono dela que os vultos vêm como vão, são incontroláveis. Cá estão eles quando nem espero. Aliás, isso também acontece com as boas recordações, os compromissos esquecidos e o nome daquele ator que fez aquele filme... as lembranças nos pegam no meio do dia, e nunca saberemos o porquê dessas aparições serem tão inusitadas! Bom, quando cheguei em casa não tinha muito o que fazer com a minha cabeça a não ser não pensar nas reminiscências, então comecei a folhear os livros que estavam jogados na mesa antes que os meus olhos começassem a arder. Só que o nervosismo não me permitiu concentrar na leitura, então li orelhas, dedicatórias, algumas muito bonitas, melhor não me emocionar, pára tudo! Procurei o dicionário, que alívio ler palavras soltas, não quero atribuir nenhuma citação sequer ao que estou passando agora. Consegui me distrair. Minto. Parecia que eu havia conseguido. Porque os vultos já estavam de volta, e foi o raio do dicionário que começou a dar vazão ao meu drama. Achei mais justificativa para os meus sofrimentos. Descubro então que a palavra "vulto" não quer dizer apenas figura mal definida, também significa importância, interesse, notabilidade.

Os vultos do meu passado são notáveis figuras indistintas. Vou deixar de dar importância porque são indecifráveis?

Aponto o verbete e digo pra mim mesma que "agora meus motivos são mais do que plausíveis!". A minha gana de entender coisas que incomodam me deixam solitária, mas nunca fui de varrer a sujeira pra baixo do tapete. Só tento consertar o que me aflige, entender o máximo do que puder de tudo isso para viver bem. E ele continuava observando tudo da superfície, muito seguro de si, e principalmente, seguro de mim. Será que ele não se pergunta...?

Quantas vezes ele não me machucou com um punhado de palavras soltas que julgava inofensivas e elucidativas. Ele deve se achar um dicionário.

Tudo isso veio à tona no momento em que abri o papelzinho, aquele que o gordinho Marcelo/Marcos ou sei lá o quê me deu na boate. O telefone era dele, a caligrafia característica e péssima, tudo aquilo parecia ter ficado em negrito. Trazendo todas as lembranças, todos os vultos.

No rádio ouvia-se um daqueles programas da madrugada para o qual os ouvintes ligavam para dedicar uma música a alguém e toda aquela palhaçada. O taxista aumentou o volume:

You know it ain't easy
For these thoughts here to leave me
There's no words to describe it
In French or in English
Well, diamonds they fade
And flowers they bloom
And I'm telling you
These feelings won't go away
They've been knockin' me sideways
They've been knockin' me out lately
Whenever you come around me
These feelings won't go away
They've been knockin' me sideways
I keep thinking in a moment that
Time will take them away
But these feelings won't go away



É, ele está de volta. Acho que vou ligar.

As vezes prefiro morrer

Quantas paixões não correspondidas um ser humano é capaz de agüentar? Decepcionar-se consigo mesmo é pior que uma decepção com outro? Quantas vezes na vida um ser humano é capaz de se apaixonar? Será que existe um número exato para cada um de nós determinado antes de nascermos, quando ainda somos uma estrelinha no céu? Quantas vezes seremos capazes de querer alguém que não nos quer, e ainda continuar insistindo porque achamos que vale a pena? Quanto tempo mais acharemos que merecemos aceitar migalhas de amor, aceitar alguns pedaços de alguém que não pode estar inteiro pra você, e ainda sentir saudade, e sentir a dor que a falta causa, e ter a sensação que aquela pessoa está do lado e daqui a pouco vai te dar um beijo delicioso... sentir falta de um corpo, de um cheiro, de uma voz... sentir falta de alguém que te acolhe, e te abraça enquanto você chora sem perguntar nada.... somos ridiculamente românticos... não deveria ser permitido querer alguém mais do que esse alguém te quer. Não deveria ser permitido terminar um relacionamento e continuar gostando, e continuar pensando, e continuar querendo. Não agüento mais ter que sufocar o que eu sinto porque esse abandono me persegue. Não aguento mais deitar a cabeça no sofá e não saber o que fazer. Não agüento mais ter dúvidas sobre terminar e tentar poupar algum sofrimento ou continuar e catar os caquinhos depois. Não agüento mais catar caquinhos. Não agüento mais sonhar com alguém que se encaixa perfeito nas minhas risadas, nos meus dias, na minha noção do belo, mas não pode estar comigo. Smplesmente porque... não pode.

Deus, é melhor eu começar a ganhar alguma coisa, porque não suporto mais perder.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

I dream of orca whales and owls and i wake up in fear

Floaters in my eyes
wake up in the hotel room
cigarettes and lies
I am a child, it's too soon

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Me tira daqui

Hoje a tarde recebi uma mensagem do Alex que pedia carinhosamente para que eu tirasse a bunda do sofá e fosse encontrar com ele na Shelter, porra! Quase mandei um "deixa pra próxima", mas parei pra pensar e vi que estava realmente precisando fazer alguma socialização. Lá pelas 10 da noite já estava me arrumando, escolhi um modelito escuro, um sapatinho vermelho pra cortar o clima sombrio e pouca maquiagem. As onze já estava pronta, fui até a cozinha e tomei o que sobrou do black label com gelo. Antes de sair pra esses lugares barulhentos gosto de beber alguma coisa, pra entrar no clima antes o clima me esmague. Chegar sóbria em boate pra mim é esquisito porque me sinto intimidada por tantos rostos conhecidos, gente gesticulando, rindo e dançando sem parar. E é justamente a sobriedade misturada com a fobia social que me faz encher a cara como se não houvesse amanhã. Prefiro me privar desse tipo de vexame praticando uma alcoolização responsável, no conforto do lar.

Chegando na Shelter respirei fundo e botei a cara simpática. Um minutinho de prosa com o segurança, mais um com a door, mais um com o dealer e já estava dentro do boate, sem enfrentar fila. Imagino que quem me vê na Shelter deve achar que eu sou drogada até o cu, porque sempre fico meio grudada com o Fred, dealer oficial do recinto. Mas na real nunca tive curiosidade. Juro, cara! Já vi amigos usando de tudo, já me ofereceram de tudo, mas nunca tive vontade de experimentar. Fiquei amiga do dealer porque ele me ajudou numa vez que tomei o porre mais bizarro da minha vida. Ele foi um doce, pagou meu taxi... desde então nos falamos sempre que vou na Shelter, trocamos pequenas confidências, dores de cotovelo.. e o mais legal de tudo: ele nunca ofereceu a mercadoria dele depois de saber que eu tenho asco à esse tipo de coisa. Reconheço que ele é um porco tratando as outras mulheres, mas por mim ele tem um carinho bacana. Não sei o porquê. Tenho uma tendência forte a atrair pessoas assim, totalmente problemáticas, que se abrem comigo por um motivo que eu nunca vou saber.

O Fred deu uma pausa no nosso papo quando a Lux chegou. Como sempre, né, porque a menina é a melhor das clientes, e ainda acho que ele tem uma quedinha por ela, sabe? Ele vive falando que tá afinzão, que tá paradão numa muLezinha que não tá nem aí pra ele, mas nunca revela a porra do nome. Enfim, o dealer me deixou meio que plantada ali, logo em seguida chegou um gordinho dizendo que conhecia o fulana, que era amiga de beltrana, que conhecia o Alex, e já tinha ouvido muito falar de mim e mais um monte de coisas. O gordinho se chamava Marcos. Não, Márcio. Marcelo. Ah, foda-se. Ele me alugou por uns 20 minutos, disse que eu era uma pessoa muito bacana e pediu meu e-mail pra gente combinar de sair. Nossa, como odeio gente que se faz de íntimo! Pra escapar da situação chata fingi que estava zonza, coloquei a culpa na bebida (estava bebendo uma coca-cola pura, detalhe) e fui ao "banheiro". Antes disso ele enfiou um papelzinho na minha mão, que coloquei no bolso sem dar muita bola.

Já estava começando a considerar ir embora daquela pocilga quando encontrei o Alex. Fiquei feliz em vê-lo e tudo mais, só que ele tava chapado pra caralho. Droga, era disso mesmo que eu tava precisando, uma pessoa desvairada falando sem parar. Coloquei a mão no peito do Alê, ele estava com o coração a mil: K e Anfetaminas. Na noite, o meu amigo virava um zumbi elétrico. Aquilo me deixou um tanto deprimida.

- Olha Alê, numa boa, acho que vou nessa.

- Mas a noite tá só começando, deixa esse inferno astral pra lá!

- Ah não tá dando, tô pra baixo, quero só dormir agarrada com o meu travesseiro. Não devia ter saído de casa hoje..

- Tá, tá, vai logo antes que essa zica me contamine!

Eu tava bastante a fim de bater um papo com o Alex, ele sempre me distrai, mas no estado em que ele se encontrava não dava mesmo. Me dirigindo à saída, dei de cara com a Lux pendurada na boca de um carinha que peguei há um tempinho atrás. Ele é lindo, maravilhoso, perfeito... debaixo da luz da boate. E com certeza tudo o que a Lux tinha tomado até o momento deve ter ajudado a deixar o rapaz bastante atraente. Amanhecer ao lado dele é garantia de decepção. Coyote Ugly total.

Entrei no primeiro taxi que vi e me joguei na poltrona. Enquanto o motorista fazia a volta, eu contava as luzinhas da Shelter e tentava identificar alguns dos rostos que também resolveram sair mais cedo de lá. Não arranjo nada melhor pra fazer com o meu cérebro, começo a reparar nas placas dos carros à frente, nos bibelôs do motorista, no tamanho do salto das putas da Avenida Atlântica. Pus a mão no bolso à procura do meu maço de cigarros e junto dele estava o papel que o gordinho Márcio/Marcos/Marcelo me deu enquanto estava na boate. Era o número de telefone do meu ex namorado.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Escuridão

Chegamos na Shelter eram exatamente 1:39 a.m. A door grita para entrarmos e abre a corrente que separa os bem-vindos dos outros. Na fila que se formava enorme, rostos conhecidos e expressões ansiosas, de quem não quer que a onda comece a bater ainda ali. Lá dentro muito escuro, muito barulho e luzes de todas as cores piscando freneticamente. Ninguém presta atenção em ninguém, uma liberdade angustiantemente solitária. Alex grita alguma coisa pra mim mas não entendo. Minha única preocupação é achar Fred, o dealer “oficial” da Shelter. Começo a rodar tentando acostumar meus olhos à luz rubra até que o avisto parado num canto, escorado na pilastra ao lado do dj. Sem falar oi começo a dizer:

-O que você tem aí?

“O que você quiser, meu amor”, responde pegando no meu queixo.

...odeio que me chamem de “meu amor”...

- Me dá um E e um doce, e quero um baseado também.

“Porque tanta amargura, meu amor, ainda pensando naquele... como é mesmo o nome...?”

– Me dá logo essa merda e cala a boca!

Muito mais puta que antes peço uma dose de wishky e com ele mesmo dropo meu êxtase. O gosto amargo desce corroendo e sinto calor. Procuro o canto mais escuro esperar a onda bater. Pessoas vem e vão, loucos, drogados, patricinhas prostitutas, prostitutas patricinhas, michês, a fauna da noite rastejando zumbi. O mesmo olhar vazio, sempre. Vejo aquela menina... Lola! Toda vez meio curvada, como se uma dor imensa fizesse peso sobre os ombros. Com ela algum idiota gorducho. Provavelmente enchendo o saco por um minuto de atenção. Outros tantos anônimos chegando, tomando espaço na pista. Está quente mesmo ou é a bebida? De repente levo um susto com Alex pulando na minha frente. Começa a gritar palavras que não entendo por causa da música alta. Sem vontade mas em respeito a amizade apuro o ouvido e presto atenção.

“Tô te sacando. Tava com Fred, deve ter se feito ali, te conheço! Olha aqui, Mona, não é morrendo que você vai esquecer. Tomar E não vai ajudar.”

Olho bem nos olhos dele e reconheço um fio de afeto sincero ali. Penso que, talvez, esta seja a única pessoa no mundo que realmente se importe comigo. Mesmo assim, aos berros e mais amarga que nunca, grito olhando pra ele com todo o ódio que consigo juntar.

- Tem certeza que não?? Escuta bem o que vou te dizer, meu caro. Talvez não ajude mesmo, talvez eu crie um vazio ainda maior, mas quem sabe amanhã eu não tenha a benção de acordar fora deste mundo. Você sabe o quanto dói em mim? Você não sabe porque você é uma porra de uma bicha pobre, feia, semi anafabeta e não sei como, ainda é feliz! Você é uma porra de uma bicha feliz!! E já que a expert em infelicidade aqui sou eu, vou te ensinar uma coisa. A única coisa que distrai uma dor é outra dor, ainda mais assustadora e violenta. Agora não enche mais a porra do meu saco e me deixa morrer em paz!

No banheiro molho o rosto e o espelho entrega alguém triste e solitário. Eu não gostaria de ser essa pessoa... Sinto calor, as cores se misturam, derreto... O rosto sorridente dele aparece pra mim. Ele andando de bicicleta, conhecendo cada cantinho obscuro, passeando alegremente pela minha mente. Nessa época ele ainda tinha algum interesse... A sensação de bem estar artificial começa a tomar forma. Penso nele, vejo as luzes, sinto saudade do corpo, do beijo, da voz.... meus braços ficam leves, cada toque irradia criando ondas de sensações pelo resto do corpo. Ouço a música com ecos. Corro pra pista aproveitar esse momento. Porque mais uma vez você foi embora, sem aviso, sem se despedir? Eu tava te esperando... Porque mais uma vez agora, logo agora, que eu estava acreditando em nós... o quentinho dentro, o bem estar, meus poros ansiam por toque... lembro do beijo dele, sinto falta.... do cheiro, da voz, do riso... do meu lado um cara dança. Pelos olhos de felicidade percebo que está na mesma onda que eu. Nunca vi, não conheço, e quem se importa? Olho pra ele e abro um sorriso falso e mole. Na mesma hora começamos a nos beijar loucamente. Não é esse homem que eu quero, não era ali que eu gostaria de estar. Preferia a cama quentinha com ele... Mas a dor da ausência é tão forte, tão aterrorizante... a solidão mais forte e mais poderosa que o mar... O que você prefere, voar ou respirar embaixo d’água?

Faz muito tempo, nas aulas de auto piedade que minha mãe me deu, aprendi: para curar uma ferida exposta, que ainda dói, só abrindo outra... Me entrego aos beijos da boca desconhecida, mesmo sabendo que, quando a onda acabar, o vazio será ainda mais devastador.

Her Majesty's a pretty nice girl,
but she doesn't have a lot to say
Her Majesty's a pretty nice girl
but she changes from day to day

De bunda no chão, sua majestade é uma menina bem legal.

Comecei a ficar beatlemaníaca por causa do meu pai. Quando eu tinha uns 10 anos, ele me apresentou o Please Please Me. Quando eu ouvi I Saw Her Standing There, pensei que estava ouvindo a canção mais genial de todos os tempos. Fiquei uma semana ouvindo SÓ esse track, pra depois ouvir o resto do álbum. A doença besoura foi me pegando devagar. Teve uma época em que eu tinha que falar todos os títulos de músicas de um álbum a minha escolha no decorrer de um dia. Precisava encaixar os títulos dentro de respostas ou perguntas plausíveis. Não sei porquê meu pai curtiu muito a idéia, e sempre duvidava que eu conseguiria terminar o que me propunha a fazer. Mas hoje em dia, parando pra pensar, vejo que ele facilitava o meu lado. Aposto que ele era louco pra jogar também, mas não queria se passar por fã chato de Beatles (qualquer tipo de fã é chato, não há como escapar, mas enfim).

Na maioria das vezes, eu escolhia o Abbey Road, apesar de o meu álbum favorito ser o Rubber Soul. Acho que era por conta dos nomes mais interessantes, mais difíceis de encaixar. Traduzindo pro português ficava meio nonsense, mas eu me divertia sozinha. Então o dia começava mais ou menos assim:

- Bom dia, Lola!
- Bom dia, mãe! Lá vem o Sol, o Sol Rei!

- Porque não arruma o seu quarto?
- Porque sim.

- CadÊ a sua gata?
- Ela entrou pela janela do banheiro.

- Arrume o quarto agora!
- Tudo bem, Sua Majestade!

E assim ia meu dia, sendo irritantemente fã de Beatles. Um dia eu já tinha encaixado quase todas as músicas, até Polythene Pam e Golden Slumbers! Ficou esquisito, a empregada achou que eu estivesse xingando, mas encaixou tá encaixado! Faltava apenas uma, portanto não poderia perder nenhuma oportunidade. No momento, minha mãe brigava comigo sem parar, e o pai estava preso no escritório fazendo sei lá o que ele fazia.

- Olha aqui menina, eu tô cansada de ver esses papéis largados pelo seu quarto, esses cds desorganizados, e não quero NUNCA MAIS encontrar anotações na parede! Não adianta falar que é de lápis e que vai sair, NAO QUERO E PONTO FINAL, ouviu bem? Esta semana você vai ficar sem papel, e vou confiscar os cds tb! Por que será que você não faz nada direito nunca?

- Porque você nunca me dá o seu dinheiro.

Nunca vi uma mulher ficar tão furiosa. Ela levantou a mão pra me bater, mas não conseguiu. Foi correndo pro escritório do meu pai, falar a sandice que ela acabou de ouvir da boca daquele projeto de gente. Fiquei olhando da frestinha da porta.

- ... é porque você não ouviu o absurdo que ela disse, Luis! "Você nunca me dá seu dinheiro!" Pequena desse jeito e já gananciosa! Será que eu não ensinei direito o valor do dinheiro pra essa criança? Será que eu tenho que me transformar naquelas mães que fazem todas as vontades do filho para ter respeito? - Blá, blá, blá, minha mãe adorava fazer uma tragédia grega com as minhas brincadeiras.

Meu pai me viu em pé ali, acenava com a cabeça para a minha mãe, mas deu um sorrisinho de lado e piscou pra mim. Eu havia ganhado, encaixado todas as músicas e AINDA POR CIMA irritado minha mãe! Ele tranqüilizou a mulher com meia dúzia de palavras e voltou a fazer o que estava fazendo.

Lembrei disso tudo enquanto descia as escadas do meu prédio, ouvindo o Abbey Road depois de muito tempo. É difícil lembrar da família neste ponto da vida, mas totalmente necessário. Naquele momento percebi que preciso entender em qual parte da minha estória perdi minha essência. Sem ajuda psicológica, sem remédios, sem álcool. Sei que a minha criança desafiadora e bagunceira está solta em algum lugar aqui dentro, tentando achar pistas do passado em algumas canções dos Beatles.

Imbuída naquele momento de reflexão perdi muito tempo andando devagar, já estava atrasada pro trabalho. Ok, você me pergunta porque eu não peguei o elevador. Gestão de calorias, ué! Só que descer e subir 15 andares todos os dias exige uma gestão de TEMPO. Comecei a correr, e nesse meio tempo o Abbey Road rodou para o início, Come Together voltou a tocar. Empolgada, apertei o passo e iniciei uma mini-corrida escada abaixo, quando pisei nos meus cadarços e caí quicando. De bunda no chão.

Tem coisa mais patética do que cair sentada? Estava ali sozinha, na escadaria do prédio, e foda-se, comecei a chorar mesmo. Quer regressão melhor do que essa? Me senti uma criança de novo. Levantei depois de alguns instantes, com uma mão enxugava a lágrima, com a outra segurava a bunda.

Será que eu preciso voltar pra terapia?

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Violently Happy


Things that should not be; breath; inside is full of colors;believe me;inhale;breath; change bad thoughts for good friends;seek and destroy; every time i scratch my nails down someone elses back i hope you feel it;shoot of heroin, end of the world; conker your fear;feeling happy as never before;love, love, love, love for everyone, love each other;never give up; kill your idols;i am my own Lord;you can not hurt me, not anymore;storm;silent alarm;i have a rainbow in my cheast;
isn't it ironic;clueless people;need some space, need air; back off;love me;cats and dogs;cocorosie;tatoos;love my friends. HAPPINESS!!

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Petite Machine



I could sink to the bottom of you
with a stone on a chain
without breathing in
I could tell you and tell you again
that there is only one
though many have been

lie down
fall in
pass out
while I'm wide awake
with the lights out
you're in safe hands
of that one man
who can fix his petite machine

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Afogamento ( falta de ar)

Eu me espremo no canto da cama porque parece ser o único lugar seguro. E as luzes permanecem apagadas. O escuro protege. A realidade é tão dolorosas que meus demônios tem a forma de mãe. Tampo os ouvidos pra não ouvir o som que vem do outro quarto. Aquela que deveria cuidar, causa dor. A solidão talhada a faca por toda a alma. Aquela que deveria proteger, causa dor... Àlgumas pessoas simplesmente não deveria ser permitido criar vidas. A culpa não é dela, mas foi assim que acreditou por toda a vida. Agora as consequencias se fazem ver, e até os anjos cobram um preço. Muitas vezes se ouviu rezar baixinho, e da voz ainda fraca, se escutou um pedido de morte, não atendido.

Quanto sofrimento poderia ter sido evitado. A solidão é tão grande que um grande buraco dentro do coração não se preenche e a mínima ausência é logo compreendida como falta de amor. Quanto sofrimento seria evitado, se ela, que deveria proteger, não tivesse sido tão egoísta, tão inconsequente, tão predatória em seu amor. Amor sufocante, intenso, castrador, dolorido, humilhante. Amor que destrói. Ensina a criança que amor dói, e o adulto em que se transformou não aprendeu ainda a se livrar das amarras e procura sempre e em vão, dentro de um labirinto, a saída para as bobagens que aprendeu.

A ausência é a mesma coisa que falta do amor? Ou é ele, em sua mais pura materialização?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Lembrete (continue respirando).

todo sofrimento será recompensado.
nenhuma dor é em vão.

destruir e reconstruir é a base da sobrevivência humana. começar do zero, com mais uma camada daquela capa de proteção que nos deram no início da vida, tão fina. tudo eclode com o propósito de renascer. a existência é um constante processo de demolição. cabe a nós não nos perdermos no maquinário do rolo compressor.

esse maquinário, casa da sabotagem.
e quem não gosta de se sentir em casa?

devo ter corrido dias inteiros. agora que descanso, sinto meu sangue congelar.deve ser o que chamam de hiperventilação.

eu chamo de medo.

cada quebra de ciclo leva consigo um pedaço de gente.
mas todo sofrimento será recompensado.

é como quando um aleijado ainda sente a perna que perdeu um dia. amadurecer não consiste exatamente em superar a falta dessa perna, mas conviver com a sensação de que ela ainda está lá. é tudo uma questão de fazer as pazes com os espectros e seguir em frente com a vida real.

(fantasmas existem e sempre vão existir, não importa o que digam).

mas nenhuma dor é em vão. o ciclo que se quebra, porém nunca se fecha. ele se renova, tudo converge para que novos desafios mantenham a essência humana em atividade. é por isso que eu, e você, ainda respiramos.

domingo, 13 de janeiro de 2008

melpomene.mp3

You broke the code

Just like i'm sure you always do

Without intentions, but I know

That's how I broke away from you

Now that the clouds are obsolete

I hope you landed on your feet

without those evil demons

keeping you reminding of the war

they pulled us through

as fragile hearts

ran short of glue

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

em meio ao caos, uns suspiros por alguém...

Nem consigo nem pensar, tão pensante passei o dia. Cérebro-locomotiva a 230 km por hora, mais solicitações do que eu gostaria de atender, mais emails do que gostaria de ler, muitas coisas pra organizar, computador ligado muito mais horas do que eu posso suportar, mas... as contas no fim do mês saltam freneticamente, exigentes e sem escrúpulos. E aí respiro fundo, porque ser independente não é fácil não.

E no meio disso tudo, não me faltam pensamentos em você.

Eu sei, este deveria ser um texto mais romântico, mas fazer o quê, é no meio do tumulto que encontro tempo de suspirar uns minutos, e lembrar que um certo reencontro aconteceu meio que por acaso, e a gente se pergunta: será o destino? Pouco me importa se foram os anjos, os deuses astronautas ou nós, que nos atraímos num imã de pensamentos frequentes. O que eu sei é que te vi passando, e meu coração pulou, e desde então vivo numa esteira rolante de sentimentos imperfeitos, e lindos. E faz muito tempo que procurava me encaixar assim, e tentava em vão me fazer entender, e fazer entender minha visão de relacionamento pouco usual e confesso, ideal difícil de se alcançado, mas quem disse que eu quero o que é fácil?!

Eu não quero o óbvio, nem o fácil, nem o seguro, nem o mais aceito. Eu quero o que me faz sentir viva, me desafia, me faz aprender com os tropeços e risadas. Eu quero o que é ideal pra MIM, não pro mundo. Eu quero rir por qualquer besteira. Trocar argumentações sem fim depois de um corte de cabelo desatrado e morrer de rir porque o que se discute não tem o menor cabimento. Eu quero chorar intensamente quando estiver triste. E falar com os olhos e ser entendida, e não precisar me prolongar muito em nenhuma explicação, porque algumas palavras já servem pra você sacar. Eu quero falar por horas e horas e horas e não perceber que o dia amanheceu, e ficar na janela olhando pro nada até o cigarro que eu não fumo acabar. Eu quero que joguem bolinha pro meu cachorro, e tenha o cuidado de deixar um sonzinho tocando enquanto eu estiver dormindo em outra cama.

Eu quero ele que me faz sentir a vontade como nunca antes senti. Ele, que eu não canso de olhar e achar tão lindo e incrivelmente sexy!

Eu não quero a pasmaceira de um relacionamento sem brigas, eu quero isso assim, do jeito que a gente conseguiu agora. Uma onda de sentimentos bons, e a esperança que existe algo que, pode nem durar pra sempre e provavelmente não vai ( a gente nem merece isso, imagina como é tedioso o "pra sempre?")mas com certeza vai deixar algo de bom, um brinquedo cujo manual é limitado à dois.Único no universo, único que já existiu.

Eu me sinto muito feliz, muito mais do que era antes!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Cicatrizante

Entrei no consultório da Drª Carla Regina Albuquerque um tanto constrangida. Treinei bastante ser toda simpática e descolada meia hora antes, mas na hora em que dei de cara com ela, encolhi os ombros. A mulher usava um batom vermelho meio borrado no canto da boca. Tinha uma mancha de batom na barra da saia branca. Os cabelos negros e encaracolados estavam presos em um coque meio bagunçado, sem contar que os óculos de armação vermelha estavam meio tortos. Então era essa maluca que ia consertar minha cabeça? Preferi espantar o pensamento e dar uma chance, quem sabe ela tivesse sido agredida por algum paciente bipolar?

- Boa tarde, Lola!

- Boa tarde, você é um tanto desajustada! Como vai? - eu disse em pensamento.

- Boa tarde, Drª Regina. - disse na verdade.

- Por favor, fique à vontade, estique-se aí mesmo no divã.

Sentei na pontinha mesmo. Sabe-se lá quem deitou naquele divã.

A doutora começou com as perguntas de praxe: como é a sua vida em família, e o emprego, e o namorado, e a infância, foi feliz?, etc. Em alguns minutos ela chegou à conclusão que qualquer um chegaria com as duas mãos nas costas: "você carrega culpa e abandono da infância, por isso, costuma estabelecer uma rígida ordem em tudo, até nos sentimentos, para sentir que tem um terreno seguro no qual possa se segurar. Também precisa trabalhar sua dificuldade em confiar nas pessoas."

- Não sou tão rígida assim, que absurdo! - falei em pensamento.

- Aahm.. - falei na verdade.

Então pra testar a terapeuta, resolvi jogar na roda um problema de verdade mesmo. Eu estava lá ora essa, havia pago a consulta, por mais que estivesse achando a mulher meio monga, não poderia desperdiçar a chance de adquirir esclarecimentos vindos de um ponto de vista completamente novo.

Afinal de contas, sou uma pessoa flexível e, acima de tudo, livre de preconceitos!

Ela irrompeu:

- O medo leva você a testar suas amizades pois tem medo de, vamos dizer, "quebrar a cara".

Como assim, agora ela resolveu me chamar de manipuladora-control-freak? Logo eu?

Enfim, ela tomou ar e resolvi checar se era realmente uma boa terapeuta. Sem preconceito nenhum, é claro, estava apenas checando. Não há mal nenhum nisso.

- Doutora Regina, queria tirar uma dúvida muito importante à respeito de uma coisa que eu sinto, antes que o nosso tempo acabe - inclinei para frente, desafiando-a.

- Pois não, estamos aqui para isso mesmo.

Foi aí que me dei conta de que o teste exigia que eu abrisse uma ferida que ainda doía. Ai, que arrependimento! Odeio falar sobre esses sentimentos mofados, começo a tagarelar como uma menina de 15 anos. A adolescente tatibitate que mora aqui dentro é quem sabe falar sobre essas coisas.

- Sabe, tem um cara. Ele me trocou por outra, né? Só que ele me procura. Aí tal. Aí eu fico nervosa, sabe? Mas não gosto dele. Queria que ele me deixasse em paz, porque eu gosto de outro melhor. Quando outro aparece me sinto bem. QUando esse cara aparece, eu fico com umas dores de cabeça. E tal.

Não falei? Não consigo desabafar sem me sentir uma criança acuada! O pior de tudo é que a Drª reparou o meu nervosismo. Droga.

- Já entendi, pode ficar tranqüila, não precisa se prolongar. Por ter lidado com seus sentimentos de maneira metódica ao longo de todos esses anos, você não consegue entender porque diabos está atraída por uma pessoa que não lhe faz bem. A solução para isso é muito simples: aceite a paranóia! Aceite que nem tudo pode ser tão certinho. Você tem medo de ceder, mas isso é normal! Se continuar sendo tão severa assim com as suas fraquezas, transformará a sua existência em um verdadeiro inferno! E não precisa ficar tão nervosa ao desabafar, viu? Estou aqui ao seu favor, e não contra você.

- Ela me chamou de paranóica, ela me chamou de paranóica, ela me chamou de paranóica. - disse em pensamento, cheia de raiva.

O relógio marca 16:45. Aliviada, agradeci pela consulta e caminhei em direção à porta. Estava certa de que não voltaria mais, existem coisas que precisam morrer dentro da gente, não vale a pena ficar remoendo lembranças dinossáuricas. Quando estava quase fechando a porta, Drª Carla Regina perguntou:

- Lola, porque não tenta dizer mais o que pensa? Não adianta apenas apontar os seus problemas. Você precisa destrinchá-los junto comigo!

Meio entre os dentes, acabei dizendo o que pensava:

- Se a essa altura do campeonato não consegui virar a página, doutora, não vale a pena ler o resto do livro.

Sobre estar por cima da carne seca

Vou te falar sobre unas cositas que eu aprendi desde que me mudei pra essa cidade: se você não é adotado por um grupo MUITO rápido, você não sobrevive. Tudo bem, essa afirmação é muito dramática, deixe-me explicar. Dá pra sobreviver sim, se você, assim como eu, não é do tipo de pessoa que precisa da aprovação alheia. Então, cheguei aqui e me arrumei fácil porque tenho dentro de mim uma coisa "boa praça" de ser: "bom dia, e aí tudo bem", "nossa, seu cabelo tá bonito hoje!", "tá precisando de alguma coisa?", enfim, as pessoas são muito carentes, amam ser elogiadas, amparadas, lembradas... aí fica fácil demais.

O problema é que toda a minha "boa pracice" explodiu na minha cara, sabe? O primeiro grupo de amigos que arranjei quando cheguei aqui não durou nem 6 meses. Fui descartada porque comecei a fazer amizade com uma menina que eles julgavam insuportável. Aqui as coisas funcionam assim, grupo de amizade é como um casamento. Você se compromete a conviver naquele meio, participar das fofocas e virar a cara pras pessoas certas.


Mandei todo mundo tomar no cu.


Mentira, falei que eles eram mente fechada demais. Ridículo, né? Deveria ter mandado pra puta que pariu mesmo. Sempre que fico com muita raiva, penso nas barbaridades mais cabeludas pra dizer, mas na hora sai uma coisa meio pseudo-educada-querendo-sair-por-cima-da-carne-seca. Dependendo da situação, não digo nada e saio correndo pra chorar em algum lugar. Ridículo, ridículo...


Sorte minha que o Alex sempre fica do meu lado quando eu preciso. Mesmo depois do mal-estar da semana passada. Vou contar, nós fomos pra uma boate, bebemos horrores e eu acabei soltando que espiei sua carteira de identidade e vi o seu antigo cabelo headbanger, da época em que ele tirava onda de metaleiro hetero do mal. Todo mundo riu, até ele, mas quando resolvi revelar que o bafão do século era que o verdadeiro nome do Alex é Alesmaildo, nossa... O Alex me lançou aquele olhar cortante meio de lado que, se tivesse uma legenda, diria "sua vadiazinha de merda, te pego lá fora". Mas nenhum climão entre o Alex e eu dura mais do que alguns minutos, no outro dia já estávamos felizes e contentes fazendo compras no shopping.


Retomando o raciocínio, a beesha me deu uns conselhos fora de série quando cheguei chateada da faculdade dizendo que não tinha mais amigos.


- Olha aqui meu bem, você quer que tudo seja muito perfeitinho na sua vida. Não é todo mundo que vai te achar uma fofurinha gracinha, tá, vai se acostumando com isso. Ao longo da vida você tem que lidar com até 5 pessoas que te odeiem pra amadurecer. PELO MENOS! Se hoje em dia eu sou bem colocada é porque já fui muito detestada, por isso que eu sempre digo...

- Pelo amor de Deus, não diz que...

- “Sua inveja é o combustível do meu sucesso!”

- Pára, isso é bordão de bicha chineleira!

- *risos* Falando sério baby, você precisa de um choque de realidade. Respira fundo, vamo lá. Se ninguém disse isso pra você até hoje, vou fazer esse favor.

Alex levanta, coloca uma mão na cintura e com a outra aponta o dedo na minha cara. Sua expressão muda rapidamente de “bicha melhor amiga” pra “trava que vai dar o golpe da gilete”.

- De boazinha você não tem nada não, viu?!!! Você é muito esperta, porque fica perto dessas pessoas que julga serem mais carentes do que você porque no fundo se sente sozinha e não tem coragem de admitir!!! Vamo tirar essa coroa de rainha da cocada preta da cabeça, vamo?!!!

Alex ajeita o cabelo, suspira, senta no sofá e acende um cigarro. Tranqüilíssimo, satisfeitíssimo consigo mesmo.

Aí eu levantei e mandei o Alex tomar no cu! Perguntei quem ele pensava que era, peguei minha bolsa, chutei a porta e mandei ele tomar no cu de novo! Falei que o cabelo dele tava uó também!

Mentira, claro que não, comecei a chorar pra caralho e contar todos os meus traumas de infância, minhas decepções amorosas, os meus bloqueios, blá blá blá, drama, drama, drama. Ridículo, cara.. que palhaçada. Mas ele estava certo.

- Olha, assim que você parar de arranjar desculpas pra si mesma, tudo vai ficar bem. Você tem uma vida nova agora, a vida independente que você sempre quis não é mesmo? Então, aproveita, desencana!

É, finalmente eu tenho minha vida nova, não sei porque fico criando tantas barreiras. Acho que foi porque saí da casa da minha Tia chutando o balde, pela primeira vez na vida eu mandei alguém tomar no cu, chutei a porta, disse tudo o que estava entalado na minha garganta há anos. Só faltou dizer que o cabelo dela era uó. O cabelo dela era cafona. Depois de sair do jugo da tia opressora, não sei porque diabos eu fiquei com medo das pessoas. Porque diabos eu passei a engolir sapo. Dona Joana era uma mistura de Baby Jane com Capitão Nascimento, sabe. Se qualquer dia desses eu reaparecer em casa e flagrar a Tia tomando chá de magma do inferno com Hugo Chávez não vou ficar nem um pouco surpresa.

O que tento criar na minha cabeça é um sentimento de ordem, de auto-controle e controle das situações. Tudo tem que estar perfeito para que eu esteja em paz. Só que é impossível estar em paz porque nada é perfeito.Certo? E quanto mais eu quiser ajeitar as coisas, pior minha situação vai ficar. Não é? Porque a idéia de paz é hiperbólica, e tenho a plena consciência de que, se por alguma falha na ordem natural dos acontecimentos de todas as coisas do mundo eu conseguisse alcançar a tal da hipérbole, minha vida não teria mais sentido algum. Preciso resolver essa mania de bater de frente com os meus sentimentos para manter a ordem, porque tenho medo de que quando a ordem chegar com toda a sua “paz”, eu pire por não saber lidar com o silêncio. Como se vive no silêncio? Como se cria? Como se ama? Fico nesse dilema, ansiando por uma coisa que eu sei que nunca vou alcançar, mas mesmo assim, tendo medo de alcançá-la.

Blá, blá, blá, drama, crise existencial.

- Não precisa dizer mais nada minha querida, aqui, toma o cartãozinho dessa terapeuta. Uma grande amiga minha que se consulta com ela esqueceu aqui. Acredite em mim, a mulher faz milagres.

Aceitei, resignada. Dei um beijo no Alex e enquanto me dirigia à porta, perguntei qual amigona vai nessa tal terapeuta... a Ana, a Betinha, a Amanda ou aquela Lux..?

- A Lux.

Saí pensando em que espécie de Milagre a Dra Carla Regina Albuquerque poderia ter feito pela Lux, porque sinceramente, a garota é a personificação de um train wreck. Sabe pessoa que precisa da aprovação dos outros mas faz de tudo pra chocar? Então, é ela mesma. Ainda bem que não sou assim. Até pensei em largar o cartãozinho de lado, mas só porque a terapia não funcionou com a Lux não quer dizer que não vá funcionar pra mim. Botei meu ego dentro do bolso, fazer o que? A situação dentro da minha cabeça de vento estava a beira do desesperador.