quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

WHAT'S THE POINT??


Quando era criança, a culpada pelas minhas dores era a minha mãe. Adolesente eram meus namorados, e na falta deles, minhas amigas. Mais adulta resolvi que todo o meu mundo pertenceria ao meu marido. Se ele ruisse, ruiria a casa,a família, meu castelo e minhas tranças de rapunzel. Agora que o príncipe virou sapo, procuro outros culpados pela minha solidão. Mas sozinha, pela primeira vez na vida, a quem vou culpar pelas tristeza que assolam a minha alma? Não existe compromisso, não existe comprometimento, sou uma bolha de ar solta ao vento. À quem vou transferir a responsabilidade pela minha ansieade e instabilidade? Quem agora vai poder transformar que eu sinto numa maravilhosa manhã de sol? Quem agora vai poder me colorir por dentro? Agora que não existe mais ninguém, eu descobri que de nada vale adiar, nem mentir. Essas dores são minhas e de mais ninguém. E deve haver algum jeito de fazê-las transformar em algo bom.


Abre as cortinas e deixa o sol entrar!


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Embaraço.

No domingo de manhã acordei com aquela dor de cabeça e o estomago em chamas. A garrafa de whisky do lado da cama estava vazia, eu usava a mesma roupa da noite de ontem, e o papelzinho com o número dele estava amassado, ao lado do meu telefone. Não lembro de ter ligado. Espero não ter falado nenhuma merda. Comecei a me levantar e organizar os pensamentos quando o Alex me chamou pelo interfone. Mandei subir. Estava tão desnorteada que nem liguei pra zoada que ele deu no meu cabelo, assim que entrou.

- Parece a Elza Soares ruiva!

Ressaca misturada com dor de cotovelo me deixa realmente zen. Filei um cigarro e o Alex começou a fazer small talk. Tipo, sempre que precisa me pedir alguma coisa, ele dá uma volta tremenda pra chegar ao ponto. Começou falando do meu cabelo, depois do tempo, depois do cara que ele pegou ontem, depois do sonho que ele teve...

- Nossa, eu tive um sonho muito louco, você não imagina! Eu estava de pé em uma calçada, fantasiado pro carnaval! Muito louco isso, porque você sabe que eu detesto carnaval. De um lado da calçada era Paris, do outro era o Rio de Janeiro! Saí correndo louco pra Paris arrancando fora o raio da fantasia, mas um mendigo louco me enrolou numa rede e me jogou na Sapucaí! Então aconteceu o seguinte...

Cada vez que ele falava "louco", assumia um tom de voz agudo que alfinetava meu cérebro ressacado.

Pronto, acabou meu zen. Comecei a ficar meio irritada, mas ele tinha cigarro, então me deixei enrolar um pouquinho mais. Até que finalmente...

- Lolita, vou fazer uma festinha lá em casa hoje à noite, será que você poderia me dar uma ajudinha?
- Ai, mas agora? Acabei de acordar cara..
- Não, agora não, vai se recuperando aí, toma um banhozinho, a gente marca um 10 aqui e vai lá pra casa.
- Tá, tá., tudo bem... será que eu posso saber o motivo da festinha?
- Ah, to a fim de badalar, e também tem uma amiga fazendo aniversário, então junta tudo...
- Beleza.

Nem quis saber quem tava fazendo aniversário, quem ia na festa, nada. Tomei banho, dei uma golada num café, coloquei meus óculos escuros e fui pra casa do Alex. Limpamos o lugar, tiramos os móveis, organizamos a trilha sonora, gelamos os bebes, arrumamos uns comes. O Alê sabia que o evento dele não sairia sem mim, porque porra, ele é enrolado demais. Com tudo pronto, falei que precisava voltar em casa pra tomar outro banho e colocar uma roupa mais apropriada. Ele disse "esteja de volta às 10".

Quando coloquei o dedo na campainha eram exatamente uma e cinco da manhã. Pontualidade nunca foi meu forte. Esperei um pouquinho antes de tocar. Ainda bem que hesitei, porque a porta estava apenas encostada. A música já estava rolando e ouvia-se muita conversa, risos e gritinhos. A festa já estava lá, eu precisava entrar. Tirei o dedo da campainha, respirei fundo, preciso encarar esse bando de gente. Vamos lá, força! Não custa nada Lola, sua roupa está perfeita, seu cabelo no lugar. Ih, melhor dar uma olhada na maquiagem outra vez, cadê o espelhinho? Passa mais batom. Agora entra. Não. Tá, agora vai.

Já estavam cantando parabéns. A vontade que me deu de sair correndo do apartamento do Alex foi enorme quando li, bem no centro da sala, uma faixa colorida que dizia, bem grande, FELIZ ANIVERSARIO LUX. Não acreditei nos meus olhos. Eu ajudei a planejar a festa da LUX? O Alê jogou muito sujo cara, porque ele sabia que se eu soubesse que era aniversário daquela garota eu não ajudaria. Fingido! Fiquei no canto da sala esperando acabar o burburinho, muito sem graça de cumprimentar os convidados na hora em que todas as atenções estavam voltadas para a aniversariante. A maioria das pessoas ali sabem que a Lux e eu não nos bicamos, por isso preferi me fazer invisível pra evitar comentários. Sem contar que todo e qualquer clima de feliz aniversário me deixa bastante desconfortável.

Odeio aniversários do fundo do meu coração. Nos meus álbuns de família, estou com a boca escancarada a chorar em TODAS as fotos. Nas dos meus aniversários e nas dos outros parentes. Não sei quando começou esse trauma de aniversário, mas está comigo desde muito cedo. Enquanto me encolhia para não ter minha presença notada, tirei o celular do bolso. O truque de olhar o celular quando se está deslocado em alguma situação social é muito óbvio, porém reconfortante. Pra minha surpresa, havia umas 6 ligações perdidas, vindas do mesmo número, e uma mensagem.

- Porque você não me atende? Preciso MUITO (sim, o muito estava em caixa alta) falar com você. Por favor, não faz assim. Henrique.

Meu coração gelou. Não era nele em quem eu estava querendo pensar. Naquele momento, precisava me esforçar pra socializar discretamente quando o povo dispersasse. Concentra, Lola, concentra! Os pêlos na minha nuca arrepiaram, senti um certo enjôo, uma vontade de sair dali, mas minhas pernas não obedeciam. Procurando não pensar nos espasmos que a mensagem do Henrique estavam causando no meu corpo, olhei pra mesa onde todos se reuniam pra parabenizar a Lux. Ela estava diferente. Ria, abraçava as pessoas, se divertia com os presentinhos. Por um momento ela parecia uma menininha. Há de se dar crédito pra quem consegue deixar a criança interna escapulir assim. Resolvi, num ímperto, que o melhor a fazer era ir até à mesa.

- Oi, Lux. Feliz aniversário!

A facilidade que tenho em me colocar em situações constrangedoras é irmã gêmea da minha fobia social. Ela também simpatiza bastante com o meu trauma de aniversários.

No vácuo de alguns nano segundos que precederam a resposta da Lux, ouvi um bipe vindo do meu bolso. Ainda bem que a bateria do celular acabou.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Ay, doctor


... porque al fin y al cabo nadie se avergüenza de respirar o de ponerse los zapatos; son cosas que se hacen, y cuando pasa algo raro, cuando dentro del zapato encontramos una araña o al respirar se siente como un vidrio roto, entonces hay que contar lo que pasa, contarlo a los muchachos de la oficina o al médico. Ay, doctor, cada vez que respiro... Siempre contarlo, siempre quitarse esa cosquilla molesta del estómago.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Baloons...

Me sinto completamente insana. Decisões que tomo e não se sustentam. Idéias que surgem e desaparecem, esqueço completamente. Minha cabeça voa. Acho que presto atenção para depois perguntar de novo. A cada dez minutos decido meu destino. Em nenhum deles tenho certeza do final. Estado de confusão mental indisciplinada. Seria tão mais fácil se decidissem por mim. Não sofro, não me sinto feliz, não quero nada muito, também não deixo de querer. Me sinto apaixonada com a vida para logo depois me achar uma infeliz. Diz uma amiga, psicóloga e astróloga, que é o meu inferno astral. Gente, graças a deus meu aniversário está perto!


Eu tenho esse relacionamento, que não ata nem desata, que fica lá a mercê da maré e dos nossos humores. Eu fico feliz, mas também fico infeliz. Me sinto apaixonada, como também me sinto despegada. Sinto raiva e sinto amor. Sinto amor e sinto indiferença. Sinto saudade e muitas vezes não sinto nada. Eu tenho esse relacionamento que está parado no meio do caminho. Que é só uma promessa, e como toda promessa não diz a que veio. Ele não cresce nem diminui. Não é maravilhoso e também não tortura o suficiente. Muitas vezes é divertido e acolhedor, mas qual amigo não é? Eu tenho esse relacionamento que ganhou um prazo. E o prazo é alguém que não conheço e está chegando, e aí sim, aí teremos uma resposta. Ou minha, ou dele. E saberemos pra onde vamos, e finalmente a estrada vai mostar seu caminho, ou seu fim.


Algum dia eu acreditei que pudesse dar certo, mas agora já não sei mais. Mas também não sei de nada nesse monento. O que eu sei, e disso tenho certeza, é que preciso do outro para me decidir. O que eu sei, é que preciso que o outro me mostre o quanto me quer, o quanto a minha presença faz diferença. O que eu sei, é que detesto ser qualquer uma, e detesto que se refiram à mim como "tanto faz". O que eu sei, e disso tenho certeza, é que eu poderia acreditar, e poderia amar, e poderia tentar, mas preciso de uma resposta, preciso da vontade do outro. Sozinha não tenho força pra conquistar.



Eu sou aquele tipo de mulher por quem os homens nunca se apaixonam. Eles respeitam, e admiram, e comigo assaltam um banco e fazem muitas loucuras. As vezes choramos baixinho, ou fazemos planos. Eu sou aquele tipo de mulher que está sempre ali, um porto seguro. Meio louco, meio indeciso, mas seguro.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

05:35 A.M

"Você dá importância demais aos vultos do seu passado!". Aí está a última fala da nossa última discussão. Diante do abandono que senti ao ouvir essa afirmação tão categórica, virei as costas e me dirigi à porta da rua. Se tal afirmação acompanhasse uma voz mais suave, compreensiva, embebida em um conselho valioso ou até mesmo uma tentativa de conselho, tudo seria diferente. Mas não. Ela veio seca, sentenciosa, lacônica. Será que ele não tem mais nada a dizer?

Mal sabe o dono dela que os vultos vêm como vão, são incontroláveis. Cá estão eles quando nem espero. Aliás, isso também acontece com as boas recordações, os compromissos esquecidos e o nome daquele ator que fez aquele filme... as lembranças nos pegam no meio do dia, e nunca saberemos o porquê dessas aparições serem tão inusitadas! Bom, quando cheguei em casa não tinha muito o que fazer com a minha cabeça a não ser não pensar nas reminiscências, então comecei a folhear os livros que estavam jogados na mesa antes que os meus olhos começassem a arder. Só que o nervosismo não me permitiu concentrar na leitura, então li orelhas, dedicatórias, algumas muito bonitas, melhor não me emocionar, pára tudo! Procurei o dicionário, que alívio ler palavras soltas, não quero atribuir nenhuma citação sequer ao que estou passando agora. Consegui me distrair. Minto. Parecia que eu havia conseguido. Porque os vultos já estavam de volta, e foi o raio do dicionário que começou a dar vazão ao meu drama. Achei mais justificativa para os meus sofrimentos. Descubro então que a palavra "vulto" não quer dizer apenas figura mal definida, também significa importância, interesse, notabilidade.

Os vultos do meu passado são notáveis figuras indistintas. Vou deixar de dar importância porque são indecifráveis?

Aponto o verbete e digo pra mim mesma que "agora meus motivos são mais do que plausíveis!". A minha gana de entender coisas que incomodam me deixam solitária, mas nunca fui de varrer a sujeira pra baixo do tapete. Só tento consertar o que me aflige, entender o máximo do que puder de tudo isso para viver bem. E ele continuava observando tudo da superfície, muito seguro de si, e principalmente, seguro de mim. Será que ele não se pergunta...?

Quantas vezes ele não me machucou com um punhado de palavras soltas que julgava inofensivas e elucidativas. Ele deve se achar um dicionário.

Tudo isso veio à tona no momento em que abri o papelzinho, aquele que o gordinho Marcelo/Marcos ou sei lá o quê me deu na boate. O telefone era dele, a caligrafia característica e péssima, tudo aquilo parecia ter ficado em negrito. Trazendo todas as lembranças, todos os vultos.

No rádio ouvia-se um daqueles programas da madrugada para o qual os ouvintes ligavam para dedicar uma música a alguém e toda aquela palhaçada. O taxista aumentou o volume:

You know it ain't easy
For these thoughts here to leave me
There's no words to describe it
In French or in English
Well, diamonds they fade
And flowers they bloom
And I'm telling you
These feelings won't go away
They've been knockin' me sideways
They've been knockin' me out lately
Whenever you come around me
These feelings won't go away
They've been knockin' me sideways
I keep thinking in a moment that
Time will take them away
But these feelings won't go away



É, ele está de volta. Acho que vou ligar.

As vezes prefiro morrer

Quantas paixões não correspondidas um ser humano é capaz de agüentar? Decepcionar-se consigo mesmo é pior que uma decepção com outro? Quantas vezes na vida um ser humano é capaz de se apaixonar? Será que existe um número exato para cada um de nós determinado antes de nascermos, quando ainda somos uma estrelinha no céu? Quantas vezes seremos capazes de querer alguém que não nos quer, e ainda continuar insistindo porque achamos que vale a pena? Quanto tempo mais acharemos que merecemos aceitar migalhas de amor, aceitar alguns pedaços de alguém que não pode estar inteiro pra você, e ainda sentir saudade, e sentir a dor que a falta causa, e ter a sensação que aquela pessoa está do lado e daqui a pouco vai te dar um beijo delicioso... sentir falta de um corpo, de um cheiro, de uma voz... sentir falta de alguém que te acolhe, e te abraça enquanto você chora sem perguntar nada.... somos ridiculamente românticos... não deveria ser permitido querer alguém mais do que esse alguém te quer. Não deveria ser permitido terminar um relacionamento e continuar gostando, e continuar pensando, e continuar querendo. Não agüento mais ter que sufocar o que eu sinto porque esse abandono me persegue. Não aguento mais deitar a cabeça no sofá e não saber o que fazer. Não agüento mais ter dúvidas sobre terminar e tentar poupar algum sofrimento ou continuar e catar os caquinhos depois. Não agüento mais catar caquinhos. Não agüento mais sonhar com alguém que se encaixa perfeito nas minhas risadas, nos meus dias, na minha noção do belo, mas não pode estar comigo. Smplesmente porque... não pode.

Deus, é melhor eu começar a ganhar alguma coisa, porque não suporto mais perder.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

I dream of orca whales and owls and i wake up in fear

Floaters in my eyes
wake up in the hotel room
cigarettes and lies
I am a child, it's too soon

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Me tira daqui

Hoje a tarde recebi uma mensagem do Alex que pedia carinhosamente para que eu tirasse a bunda do sofá e fosse encontrar com ele na Shelter, porra! Quase mandei um "deixa pra próxima", mas parei pra pensar e vi que estava realmente precisando fazer alguma socialização. Lá pelas 10 da noite já estava me arrumando, escolhi um modelito escuro, um sapatinho vermelho pra cortar o clima sombrio e pouca maquiagem. As onze já estava pronta, fui até a cozinha e tomei o que sobrou do black label com gelo. Antes de sair pra esses lugares barulhentos gosto de beber alguma coisa, pra entrar no clima antes o clima me esmague. Chegar sóbria em boate pra mim é esquisito porque me sinto intimidada por tantos rostos conhecidos, gente gesticulando, rindo e dançando sem parar. E é justamente a sobriedade misturada com a fobia social que me faz encher a cara como se não houvesse amanhã. Prefiro me privar desse tipo de vexame praticando uma alcoolização responsável, no conforto do lar.

Chegando na Shelter respirei fundo e botei a cara simpática. Um minutinho de prosa com o segurança, mais um com a door, mais um com o dealer e já estava dentro do boate, sem enfrentar fila. Imagino que quem me vê na Shelter deve achar que eu sou drogada até o cu, porque sempre fico meio grudada com o Fred, dealer oficial do recinto. Mas na real nunca tive curiosidade. Juro, cara! Já vi amigos usando de tudo, já me ofereceram de tudo, mas nunca tive vontade de experimentar. Fiquei amiga do dealer porque ele me ajudou numa vez que tomei o porre mais bizarro da minha vida. Ele foi um doce, pagou meu taxi... desde então nos falamos sempre que vou na Shelter, trocamos pequenas confidências, dores de cotovelo.. e o mais legal de tudo: ele nunca ofereceu a mercadoria dele depois de saber que eu tenho asco à esse tipo de coisa. Reconheço que ele é um porco tratando as outras mulheres, mas por mim ele tem um carinho bacana. Não sei o porquê. Tenho uma tendência forte a atrair pessoas assim, totalmente problemáticas, que se abrem comigo por um motivo que eu nunca vou saber.

O Fred deu uma pausa no nosso papo quando a Lux chegou. Como sempre, né, porque a menina é a melhor das clientes, e ainda acho que ele tem uma quedinha por ela, sabe? Ele vive falando que tá afinzão, que tá paradão numa muLezinha que não tá nem aí pra ele, mas nunca revela a porra do nome. Enfim, o dealer me deixou meio que plantada ali, logo em seguida chegou um gordinho dizendo que conhecia o fulana, que era amiga de beltrana, que conhecia o Alex, e já tinha ouvido muito falar de mim e mais um monte de coisas. O gordinho se chamava Marcos. Não, Márcio. Marcelo. Ah, foda-se. Ele me alugou por uns 20 minutos, disse que eu era uma pessoa muito bacana e pediu meu e-mail pra gente combinar de sair. Nossa, como odeio gente que se faz de íntimo! Pra escapar da situação chata fingi que estava zonza, coloquei a culpa na bebida (estava bebendo uma coca-cola pura, detalhe) e fui ao "banheiro". Antes disso ele enfiou um papelzinho na minha mão, que coloquei no bolso sem dar muita bola.

Já estava começando a considerar ir embora daquela pocilga quando encontrei o Alex. Fiquei feliz em vê-lo e tudo mais, só que ele tava chapado pra caralho. Droga, era disso mesmo que eu tava precisando, uma pessoa desvairada falando sem parar. Coloquei a mão no peito do Alê, ele estava com o coração a mil: K e Anfetaminas. Na noite, o meu amigo virava um zumbi elétrico. Aquilo me deixou um tanto deprimida.

- Olha Alê, numa boa, acho que vou nessa.

- Mas a noite tá só começando, deixa esse inferno astral pra lá!

- Ah não tá dando, tô pra baixo, quero só dormir agarrada com o meu travesseiro. Não devia ter saído de casa hoje..

- Tá, tá, vai logo antes que essa zica me contamine!

Eu tava bastante a fim de bater um papo com o Alex, ele sempre me distrai, mas no estado em que ele se encontrava não dava mesmo. Me dirigindo à saída, dei de cara com a Lux pendurada na boca de um carinha que peguei há um tempinho atrás. Ele é lindo, maravilhoso, perfeito... debaixo da luz da boate. E com certeza tudo o que a Lux tinha tomado até o momento deve ter ajudado a deixar o rapaz bastante atraente. Amanhecer ao lado dele é garantia de decepção. Coyote Ugly total.

Entrei no primeiro taxi que vi e me joguei na poltrona. Enquanto o motorista fazia a volta, eu contava as luzinhas da Shelter e tentava identificar alguns dos rostos que também resolveram sair mais cedo de lá. Não arranjo nada melhor pra fazer com o meu cérebro, começo a reparar nas placas dos carros à frente, nos bibelôs do motorista, no tamanho do salto das putas da Avenida Atlântica. Pus a mão no bolso à procura do meu maço de cigarros e junto dele estava o papel que o gordinho Márcio/Marcos/Marcelo me deu enquanto estava na boate. Era o número de telefone do meu ex namorado.