sábado, 29 de março de 2008

QUERO TE GUARDAR, DENTRO DE UMA CAIXINHA, DENTRO DO MEU BOLSO

Te prometo que crio um mundo fantástico onde viajar no tempo é possível. Vamos pras Arábias das Mil e uma Noites encontrar princesas trancadas num castelo de 130 quartos, vestidas com véus e pulseiras, ansiosas por algum tipo de diversão. Dentro da sua caixinha haverá um sol sempre brilhante e alguma neve nas montanhas. Faremos uma viagem ao fundo do mar onde vamos conhecer uns bichos estranhos, de cabeças enormes e olhos brilhantes. Inimaginavelmente ricos, vamos celebrar a luxúria. Daremos uma festa dentro de uma limusine numa noite interminavelmente animada e vamos nos exceder em tudo, porque somos invencíveis! No mundo dentro da sua caixinha nada será imperfeito. Animais selvagens comerão das nossas mãos. Andarão livres, soltos, saudáveis e felizes, exatamente como deveria ser. Te prometo um quarto onde só será preciso pensar e tudo que produz som até hoje criado simplesmente aparecerá. E quando tudo cansar, é só abrir uma porta e encontrar uma cama macia e quentinha. E a Karenin também vai estar lá, entretida com uma bolinha, balançando o cotoco que disseram pra ela que é um rabo. Nenhum pensamento insano nunca vai surgir, e a locomotiva vai ganhar um freio, e um volante.


Eu quero te guardar dentro de uma caixinha que vou levar no meu bolso, pra onde eu for...



Nem lembro a primeira vez que eu o vi,nem quando o conheci, só sei que faz algum tempo. Também não lembro quando foi que percebi que algo seria diferente, mas desde que me lembro soube que não seria a toa. Não é só por ser lindo, nem incrivelmente sexy. Não é só pela voz, nem pelo jeito doce, nem pela animação contagiante. Não é só por ser admiravelmente talentoso ou ter um sorriso lindo. Qualquer um pode ver o óbvio. É pelo que corre nas entrelinhas e só a convivência mostra.Porque com ele me sinto compreendida numa forma que nunca senti. É por estar junto e ter a incrível sensação que o mundo parou. É por conversar a noite inteira e não perceber que amanheceu, e no dia seguinte ver que o que se falou não foi em vão. É por ver que o que andava solto, está tomando uma forma. E eu gosto da forma que está tomando. É por poder ser meio criança e fazer guerra de almofadas. É por passar uma tarde meio mongol, meio implicante, sem ter vergonha. É porque estar junto é a mesma coisa que ter o sorriso virado prum sol de primavera, deliciosamente quentinho. É por finalmente ver que a intimidade não precisa ser assustadora e que estar verdadeiramente próximo de alguém não vai te levar prum mundo de monstros e mães canibais. Estar próximo de alguém, afinal, pode ser gostoso e aconchegante. É por não ter que colocar o que está acontecendo dentro de algum arquivo pronto e imposto, e mesmo assim perceber que, mesmo sem nome, esse lugar pode ser um lugar seguro. E embora muitos não entendam muito bem como isso é possível, uma confiança está sendo conquistada. É por ter, sem nenhuma pretensão, criado um Brinquedo que está virando um parque de diversão!



Se por uma reviravolta qualquer dessas que o destino prega nossos caminhos se desviarem, quero ter guardado esse Brinquedo dentro de uma caixinha que vou levar dentro do bolso, junto com tudo que valeu a pena nessa vida!

sexta-feira, 28 de março de 2008

...acordando...


- você gosta de mim ...

- ...uhum...

- "uhum" como ...

- ...uhum algo...

- "algo" quanto ...

- ...algo imenso...





sexta-feira, 21 de março de 2008

he floods me with dread


If I was my heart
I'd rather be restless
The second I stop the sleep catches up and I'm breathless
This ache in my chest
As my day is done now
The dark covers me and I cannot run now

Plutão

há muitas noites tenho chegado em casa depois das 4 da manhã. passar noites fora e bebendo com os amigos tem ajudado minha cabeça a parar de rodar um pouco. não queria que fosse desse jeito, sabe, eu poderia muito bem retomar velhos hábitos saudáveis, como correr na beira da praia ouvindo música, mas a preguiça sentou bem em cima da minha corcunda e não quer sair.
a semana tinha sido agitada, e uma das minhas companhias de bebedeira tem sido um grande amigo que terminou um relacionamento recentemente. depois de muito desabafar comigo ele decidiu que o namoro estava desgastado, que não conseguia mais sentir a empolgação que sentia no início do romance com o cara... problema típico de quem decide se comprometer jovem demais. Enfim.

a angústia do meu amigo vem me fazendo um pouco mal, não só porque eu o amo e fico compadecida, mas porque parei pra pensar e vi que as pessoas próximas a mim sempre tomam decisões drásticas depois de ouvir os meus conselhos. tudo bem, não serei ególatra ao ponto de dizer que tenho o poder de influenciar mentes confragidas por romances à beira do fracasso, porém não pude deixar de perceber que sempre sou eu quem dá o empurrãozinho
final em todos que me procuram. ajudar alguém a chegar que vc gosta a chegar
à uma conclusão que leve embora o peso da angústia é legal, por isso acaba sendo eu quem dá o wake up call porque sou o tipo de pessoa que se desvencilha fácil das situações
que fazem mal. não porque sou forte, madura e tenho muito amor pela minha pessoa, é óbvio que não. é que na verdade, lá no fundo da minha cabeça mora uma pequena mania
de grandeza. me desvencilho pra depois afirmar pra mim mesma "viu o que eu posso fazer?". No fundo, no fundo, tenho medo de dinamitar as bases, sofro, quero ligar, quero implorar, quero tentar consertar. mas o medo é tão gigante que procuro outra situação fudida, pra depois sair
vitoriosa. Destruo com medo de destruir e sou viciada nisso.

Na noite de ontem meu amigo agradeceu pela força e disse que estaria aqui pro que eu precisasse. agradeci, mas me senti uma farsa. mesmo sabendo que poderia contar com ele, não revelei nada sobre essas minhocas que vem passeando pelos meus pensamentos. ele estava se sentindo bem, então preferi deixá-lo como estava. por enquanto é melhor que ele não saiba que esta pessoa que é tida como "sensata" e "conselheira" deixa sua própria vida à míngua.

numa boa, se existe algum vilão de estória em quadrinhos que usa os seus poderes pro bem, pode crer que ele foi inspirado em mim. (opa, desculpa, quem acabou de afirmar isso foi a minha mania de grandeza).

fiquei acordada até às 8 da manhã, mesmo depois de ter bebido bastante whisky e ter fumado um maço de cigarros inteiro. Tomei um banho pra me recompor porque às nove tinha um encontro marcado com a Dra Psicóloga. não estava nem um pouco a fim de voltar, mas acontece que fui em dois Doutores Gastro com as minhas famosas dores de estômago e eles recomendaram um tratamento psicoterapeutico urgente. pra um deles eu meio que cheguei a implorar por outro remédio, então o doutor gastro número dois falou "tudo bem", rabiscou o prontuário, dobrou e colocou no meu bolso: "só abre quando chegar lá fora, ok?", e deu um sorrisinho. Quando abri, li que o nome do remédio era "vai cuidar desta cabecinha. Você é jovem demais para viver tão estressada".

então sentei no divãzinho e baixei a guarda para a doutora psicóloga. Ela disse:

- hmm. dinamitar as bases. bloqueios. auto-sabotagem... olha minha querida, se confiar em mim,
poderei ajudá-la a acabar com esse vandalismo sentimental em pouco tempo.

de super vilã fui rebaixada a vândala. nossa, agora sim é que eu vou precisar de muito tratamento.

- você acha que pode se comprometer em vir aqui uma vez por semana?
- sim, sim.
- você não vai mais desmarcar 5 consultas seguidas com a mesma desculpa?
- não, claro que não.
- nem me deixar esperando por outras 5 sem desculpa nenhuma?
- não, que é isso...
- então bem vinda à bordo. sua vida não precisa mais ser um inferno... e nem seu hálito cheirar a whisky. Aqui, toma essa balinha.

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segunda-feira, 10 de março de 2008

estômago, me dá uma trégua!

São três e quinze, tento dormir, mas a fome não deixa. A cabeça gira; me concentro pra não perder nenhuma palavra e deixar de aprender a lição do dia. O aprendizado é doloroso, mas vale a pena. Alimento ainda não desce, entalou. A comida rola chiclete na boca. Minha vontade é cuspir. Como se já não bastassem todas as neuroses, ainda sou agraciada com uma porra de uma semi- anorexia indigesta. Valeu mãe!

Os vazios da alma, acompanhados de um vazio na barriga. Claro, tinha que ter algum mal físico. Imagina se iriam facilitar, se podem dificultar. Pra que não é mesmo?

Levanto. Decido que algo precisa entrar. A fome aperta, a sensação de tontura aumenta e com ela a falta de ar.

Segura a minha mão, só até eu acabar? Promete que não solta....

Que relação estranha cada um de nós tem com a comida. Uns comem brigadeiros pra se acalmar. Outros engordam pra se esconder do mundo dentro da capa de gordura. Outros resistem e se matam aos pouquinhos, passando dias e dias, morrendo de fome e sem conseguir comer.

Mas eu tenho esperança, e uma vontade obsessiva de ser alguém melhor. Eu sei que daqui a pouco vai passar. É só mais um pedaço de vida ruim, como muitos, que vão passar... eu sei que vão!

sábado, 8 de março de 2008

VIVENDO DE AR

Uma parte de mim não se importa de morrer. A outra, luta desesperadamente pra viver. O lado suicida não pensa em conseqüências. Atravessa a rua sem olhar e não ouve as buzinas. Esse lado acha que já se perdeu o suficiente por uma vida e agora está na hora de começar uma outra.O lado bom, o que luta, consegue parar por alguns segundos a locomotiva insana que disparou e sente um lampejo de esperança. Esse pensa em abrir as cortinas e deixar o sol entrar.

Não é culpa de ninguém. A culpa é da culpa que se esconde em algum lugar tão seguro que por vezes se pensa que ela nem existe. A culpa mora na parte nebulosa. É esse lado que não me deixa comer. Que me faz sentir nojo e náuseas. É ele que entala a minha garganta e seca a minha boca. É ele que revira o meu estômago e me faz querer vomitar qualquer coisa. Algo se esconde tão profundamente dentro de mim, tão poderoso que ocupa o lugar do que necessito pra sobreviver.

O lado bom luta, e manda sinais que está no limite. Mantém meu corpo alerta e em estado econômico. É por isso que meu raciocínio fica lento. O lado bom me avisa que estou fraca, vivendo no limite do possível, me deixando tonta. Algumas vezes sinto falta de ar. Eu sinto fome, o corpo dói, mas não desce. Entalou.

E tudo isso porque? Pra que? Pra que viver? Pra que morrer? Pra que continuar ou parar, pra que dormir e acordar? Pra que serve o ar, pra que serve a falta de ar?