Uma parte de mim não se importa de morrer. A outra, luta desesperadamente pra viver. O lado suicida não pensa em conseqüências. Atravessa a rua sem olhar e não ouve as buzinas. Esse lado acha que já se perdeu o suficiente por uma vida e agora está na hora de começar uma outra.O lado bom, o que luta, consegue parar por alguns segundos a locomotiva insana que disparou e sente um lampejo de esperança. Esse pensa em abrir as cortinas e deixar o sol entrar.
Não é culpa de ninguém. A culpa é da culpa que se esconde em algum lugar tão seguro que por vezes se pensa que ela nem existe. A culpa mora na parte nebulosa. É esse lado que não me deixa comer. Que me faz sentir nojo e náuseas. É ele que entala a minha garganta e seca a minha boca. É ele que revira o meu estômago e me faz querer vomitar qualquer coisa. Algo se esconde tão profundamente dentro de mim, tão poderoso que ocupa o lugar do que necessito pra sobreviver.
O lado bom luta, e manda sinais que está no limite. Mantém meu corpo alerta e em estado econômico. É por isso que meu raciocínio fica lento. O lado bom me avisa que estou fraca, vivendo no limite do possível, me deixando tonta. Algumas vezes sinto falta de ar. Eu sinto fome, o corpo dói, mas não desce. Entalou.
E tudo isso porque? Pra que? Pra que viver? Pra que morrer? Pra que continuar ou parar, pra que dormir e acordar? Pra que serve o ar, pra que serve a falta de ar?
sábado, 8 de março de 2008
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