domingo, 23 de setembro de 2007

ANSIOUX

Eu poderia fatiar a minha ansiedade e servir num prato de bolo.

Sempre fui assim, meio pessimista. Sempre achei que coisas boas não aconteceriam comigo, e se acontecessem, não durariam muito. De fato, minha infância foi um inferno, adolescência pior ainda. Minha mãe era um desastre. Caos total, na vida dela e na minha. Dizem que você não deve se apegar ao passado, que ele deve ficar pra trás, que a vida segue e é “bola pra frente”! O bastardo que disse isso não teve uma mãe como a minha. Porra, passei anos sentindo as garras dela fincadas em mim, como se o fato de ser sua filha, por si só, já trouxesse uma maldição que eu carregaria desde o nascimento até a morte. Anos e anos de abuso emocional não passam de uma hora pra outra, nem em algumas sessões de análise. É preciso coragem pra encarar seu demônio particular. E eu, tive muitos.

Graças a minha mãe não consigo ter nenhum relacionamento normal, simplesmente normal, sublimemente ordinário, no que a palavra tem de mais puro no seu significado. Meu namoros são urgentes, melodramáticos e intensos. Carentes, grudentos e dependentes. Preciso do outro, senão não respiro. A ausência me dá falta de ar!

Eu tive esse relacionamento que eu achei que fosse ser para sempre. Não como nos contos de fadas, felizes, mas entre ajustes e desavenças, para sempre. O importante era ser “para sempre”, e anexado toda a segurança e proteção que a eternidade traz. Talvez eu seja “old school”. Talvez só maluca mesmo.

Lux

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