segunda-feira, 24 de setembro de 2007

GASTRITE

Pode parecer que não, mas tenho tempo demais para lidar com os meus vazios. Por mais que a vida de cidade grande seja corrida, nos espaços entre um afazer e outro existe o meu cérebro tentando descansar. Como o descanso nunca acontece, roda o medo do vazio lá dentro. E cinco minutos de vazio dentro da minha cabeça duram uma eternidade, mais do que um dia sideral em Saturno. As garotas hoje vivem a vida com muito mais pressa, e eu não fico de fora. A minha lacuna é preenchida com qualquer coisa, conteúdo útil e inútil, fumaça e cafeína, pensamentos bons e ruins. No meio dessa zona toda, ainda sobra lugar pros fantasmas que ainda não se foram. Esses são os que doem. Porque como toda boa garota que vive com pressa, eu quero que eles encontrem o seu rumo JÁ. Por isso gosto tanto quando as pessoas falam "um dia você ainda vai rir disso". Fico esperando ansiosa, porque eu sei que isso acontece. A gente grita dentro do travesseiro e acende mil cigarros pra depois superar.

O problema é que desta vez, em especial, a bagunça anda durando tempo demais. Aí o imediatismo fala mais alto, causando mais desorganização. Já me dissociei de muitas das minhas existências, mas ainda carrego uma delas que é indomável. Talvez por ter sido aquela na qual me recusei arrancar os cabelos: estava preocupada em ser feliz primeiro para pensar nos danos depois.

Deu no que deu.

A única maneira de apartá-la seria deixando meu cérebro em banho-maria enquanto uso minha alma do avesso, com as dores apontando para o lado de fora.

Lola.

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